Mato Grosso do Sul registra alta de 10,5% nos feminicídios em 2025, aponta anuário
Mato Grosso do Sul teve aumento de feminicídios e dos descumprimentos de medidas protetivas em 2025 enquanto o país registrou queda nas mortes violentas
Mato Grosso do Sul registrou 39 feminicídios em 2025, quatro a mais que em 2024, alta de 10,5% e os homicídios de mulheres passaram de 63 para 70 vítimas, revela o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
No país as mortes violentas intencionais caíram 8,2% entre 2024 e 2025 enquanto os feminicídios cresceram 4% e atingiram 1.571 vítimas, informação consolidada pelo FBSP.
O relatório aponta que outros indicadores de violência doméstica também avançaram no estado; as ocorrências de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica subiram 19,4% e os casos de descumprimento de medidas protetivas de urgência cresceram 21,5%, percentual acima da média nacional de 16,7%.
No Brasil foram registrados 132.025 casos de descumprimento de medidas protetivas em 2025 ante 112.695 no ano anterior, enquanto em Mato Grosso do Sul as ocorrências passaram de 2.294 para 2.809.
Perfil dos autores
O Anuário indica que 96,4% dos casos com autoria identificada tiveram homens como autores, em 60,9% dos feminicídios o autor era o parceiro íntimo, em 18,9% o ex-companheiro e em 12,1% um familiar.
Mais da metade das mulheres assassinadas morreu dentro da própria residência e a maior parte das vítimas já havia sofrido agressões, ameaças ou outras formas de violência antes do crime.
Para cada mulher assassinada por razões de gênero o FBSP contabiliza em média 501 casos de ameaça, 182 agressões físicas, 84 descumprimentos de medidas protetivas, 79 ocorrências de stalking, 39 episódios de violência psicológica e quase três tentativas de feminicídio.
Em Mato Grosso do Sul as tentativas de feminicídio recuaram de 90 para 88 enquanto os crimes consumados aumentaram, contraste que reforça a importância de considerar o conjunto dos indicadores de violência doméstica.
O crescimento do descumprimento das medidas protetivas no estado indica fragilidade na proteção às mulheres e aumenta a vulnerabilidade das vítimas.


