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Flávio Bolsonaro repete falsa ligação entre urnas brasileiras e empresa venezuelana

Político brasileiro falando a diplomatas, com urnas eletrônicas desfocadas ao fundo e bandeiras de embaixadas.

Em Brasília, na terça-feira 21 de julho de 2026, o presidenciável Flávio Bolsonaro repetiu diante de diplomatas uma alegação falsa sobre as urnas eletrônicas usadas no Brasil. O senador afirmou que máquinas brasileiras teriam ligação com a empresa venezuelana Smartmatic e citou um relatório da CIA como base para suas suspeitas, frase que teve repercussão entre os presentes e levou a pedidos de observação internacional para o pleito de 2026.

Diante da plateia, que incluía embaixadores e representantes de mais de 40 países, Flávio fez referência a uma denúncia do governo americano e a supostas fraudes em eleições venezuelanas. “Há poucos dias, por coincidência, há uma denúncia por parte do governo americano de suspeitas de fraudes em processo eleitoral eletrônico, em especial na Venezuela. […] Muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma… Têm a mesma origem dessa empresa venezuelana”

Em seguida o presidenciável pediu que outros países enviem observadores e especialistas para as eleições no Brasil. “O pedido que eu faço a todos aqui, não estou questionando o sistema de votação brasileiro, mas que todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possíveis para as nossas eleições, como sempre fazem, e também pessoas que tenham conhecimento sobre essa tecnologia e [sobre] como o Brasil pode dar eleições mais seguras e transparentes”

O relato de que a Smartmatic teria fornecido urnas ou software para o Brasil é falso. A Justiça Eleitoral já informou em nota de 2020 que a empresa nunca vendeu urnas ou softwares utilizados em urnas para o país. A própria corte explicou que a atuação da Smartmatic em contratos anteriores restringiu se a prestação de serviços de conexão de dados e voz e serviços de treinamento e suporte operacional, e que a fabricante Positivo venceu a licitação para a produção das urnas de 2020.

Organizado pela consultoria Novo Selo Comunicação e pelo site The Brazilian Report, o encontro reuniu cerca de 80 pessoas segundo relatos de diplomatas presentes. Estavam entre os participantes representantes das embaixadas dos Estados Unidos e da China e embaixadores de países como Irlanda Reino Unido e Áustria. Um diplomata presente afirmou que não considerou que o encontro era um evento político e que a participação não representou apoio formal ao candidato.

A assessoria de Flávio informou que o senador não coloca em dúvida o processo eleitoral brasileiro e defende o envio de observadores internacionais como prática adotada em outras democracias para reforçar transparência. A menção ao relatório da CIA foi apresentada no discurso sem detalhamento técnico sobre ligações entre fornecedores e equipamentos.

No mesmo evento Flávio abordou outras críticas ao sistema político e judiciário e trouxe referências ao caso do seu pai. “Uma das razões de não ser o presidente Jair Bolsonaro concorrendo neste ano às eleições é porque ele está preso após ser vítima de uma grande farsa por parte de alguns no poder Judiciário”

O presidenciável também acusou parte da Polícia Federal de atuar para perseguições políticas e prometeu mudanças institucionais em um eventual governo. “Hoje nós temos uma Polícia Federal brasileira que parte dela está aparelhada para continuar perseguições políticas aos opositores de Lula”

Em tópicos sobre economia e meio ambiente Flávio disse que pretende acelerar licenciamentos e permitir que povos indígenas decidam sobre exploração de minerais em áreas de reserva quando for sua vontade. “Nosso governo vai respeitar o meio ambiente, mas vai tirar as riquezas que existem no subsolo ou no fundo do mar e distribuir essa riqueza para o povo brasileiro. […] Vamos dar autonomia aos povos indígenas que queiram explorar o seu solo ou o seu subsolo em uma parte do seu território. […] Se for a vontade daquele povo indígena, o governo vai fazer a sua parte para dar segurança jurídica para esses investimentos.”

O discurso destoou da tentativa do candidato de se apresentar como mais moderado que o ex-presidente Jair Bolsonaro e sucede episódios anteriores em que Flávio questionou as eleições brasileiras no exterior incluindo uma fala em março no Texas em que sugeriu interferência do governo dos Estados Unidos no pleito brasileiro de 2022.

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