Justiça decreta prisão de Neno Razuk em investigação sobre jogo do bicho
A Justiça determinou a prisão do ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho (PL), conhecido como Neno Razuk, em desdobramento da Operação Successione, que investiga um esquema ligado ao jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. A decisão tramita sob sigilo e, até o momento, o teor do mandado não foi divulgado.
Neno já havia sido condenado em primeira instância a 15 anos, 7 meses e 15 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa armada, roubo majorado e exploração do jogo do bicho. Apesar da sentença, ele recorria em liberdade.
A situação do ex-parlamentar mudou em maio deste ano, quando perdeu o mandato na Assembleia Legislativa após a recontagem dos votos determinada pela Justiça Eleitoral. Com a saída do cargo, ele deixou de contar com as garantias institucionais vinculadas ao exercício da função, entre elas o foro por prerrogativa de função para processos relacionados ao mandato.
Além da condenação, Neno Razuk responde como réu na quarta fase da Operação Successione, deflagrada em 25 de novembro de 2025 pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Na ocasião, foram presos o pai dele, Roberto Razuk, e os irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk.
Segundo o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), os três familiares integram o núcleo principal da organização investigada. A operação apura suspeitas de organização criminosa, roubo, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e contravenção penal relacionada à exploração de jogos de azar.
Operação começou em 2023
As investigações tiveram início em dezembro de 2023, quando o Gaeco deflagrou a primeira fase da Operação Successione após identificar uma disputa pelo controle da exploração do jogo do bicho em Campo Grande.
Durante o cumprimento de mandados nas diferentes fases da operação, as equipes apreenderam mais de 700 máquinas de apostas, armas de fogo, munições e mais de R$ 270 mil em espécie. Também foram recolhidos documentos financeiros que, conforme o MPMS, apontam a compra de bens móveis e imóveis registrados em nome de terceiros como forma de ocultar a origem do patrimônio.
Desde o início das investigações, Neno Razuk nega participação nas irregularidades apuradas. Procurada, a defesa informou que ainda não teve acesso à decisão judicial que determinou a prisão.
“A defesa ainda não teve acesso a esse mandado de prisão, portanto precisamos aguardar antes de realizar qualquer manifestação acerca do tema”, afirmou o advogado Roberto Razuk Neto.
