PF faz nova operação sobre suposto desvio de cotas parlamentares e mira pessoas ligadas a Sóstenes Cavalcante
A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (1º), a terceira fase da Operação Rent a Car, denominada Galho Fraco II, para aprofundar as investigações sobre um suposto esquema de desvio de recursos públicos da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap). A ação tem como foco pessoas ligadas ao deputado federal Sóstenes Cavalcante.
As medidas foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, e são cumpridas no Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais. A operação busca reunir e preservar provas relacionadas à movimentação e ao destino de recursos públicos que, segundo a investigação, teriam sido desviados por meio de contratos simulados.
Nesta etapa, os mandados de busca e apreensão têm como alvo três empresários e duas empresas apontadas pela investigação como participantes das operações financeiras sob apuração. De acordo com investigadores, essas pessoas teriam apresentado um contrato considerado falso para justificar uma transação envolvendo recursos em análise.
Segundo a Polícia Federal, há indícios da atuação conjunta entre agentes públicos, particulares e pessoas jurídicas para conferir aparência de legalidade ao suposto desvio de verbas parlamentares. Os investigadores também apontam possíveis tentativas de ocultação ou alteração de provas, hipótese que pode configurar fraude processual.
Dinheiro encontrado motivou nova fase
A nova ofensiva da PF também busca esclarecer a origem de R$ 470 mil encontrados em dinheiro vivo durante a segunda fase da operação, realizada em dezembro de 2025, em um endereço ligado a Sóstenes Cavalcante.
Na ocasião, o parlamentar afirmou que os valores eram provenientes da venda de um imóvel. A Polícia Federal, porém, considera que essa justificativa ainda precisa ser comprovada e decidiu aprofundar a apuração sobre a movimentação financeira.
Procurada pela GloboNews, a defesa do deputado informou que ele ainda não havia sido comunicado oficialmente sobre a decisão judicial.
“Assim que souber vou me manifestar como sempre fiz”, declarou Sóstenes Cavalcante.
Dinheiro estava escondido em objeto decorativo
Durante o cumprimento dos mandados desta quarta-feira, agentes localizaram dinheiro em espécie escondido dentro de um objeto decorativo que imitava um livro. O material foi encontrado no endereço de um advogado ligado ao deputado, no Distrito Federal.
A Polícia Federal não divulgou o valor apreendido nem informou se o dinheiro possui relação direta com os fatos investigados.

Investigação começou com contratos de locação
As apurações tiveram início após suspeitas de irregularidades em contratos de locação de veículos pagos com recursos da Ceap, verba destinada ao custeio das atividades parlamentares.
Segundo a investigação, empresas de fachada teriam sido utilizadas para justificar despesas com aluguel de veículos, permitindo o desvio de recursos públicos e a posterior ocultação da origem do dinheiro.
Nas fases anteriores da Operação Rent a Car, além de Sóstenes Cavalcante, o deputado federal Carlos Jordy também foi alvo de mandados de busca e apreensão, assim como assessores e advogados ligados aos parlamentares.
A investigação apura possíveis crimes de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraude processual. Até o momento, não há denúncia apresentada nem condenação judicial contra os investigados.
