Michelle Bolsonaro recua e ameaça desistir do Senado após crise no PL
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro comunicou a parlamentares aliados que não pretende mais disputar uma vaga no Senado, após a escalada de tensão interna envolvendo o Partido Liberal e o senador Flávio Bolsonaro. A decisão foi atribuída a esgotamento pessoal e à repercussão de uma disputa pública dentro da sigla.
Aliados próximos relatam que a mudança de posição ocorreu após a divulgação de vídeos em que Michelle criticou Flávio e expôs desgaste na relação política entre ambos. Nos bastidores, integrantes do partido tentam convencê-la a recuar e manter a candidatura previamente desenhada pelo PL.
Ruptura pública e desgaste interno no partido
A crise ganhou dimensão nacional após publicações feitas por Michelle na quarta-feira da semana passada. Nos vídeos, ela afirmou ter sido alvo de tratamento inadequado por parte do senador e declarou ter se sentido “maltratada e desrespeitada”.
O conflito interno se intensificou a partir de divergências sobre a estratégia eleitoral do PL no Ceará. Flávio Bolsonaro e parte da cúpula defendem apoio a Ciro Gomes para o governo estadual, enquanto Michelle se posicionou contrariamente à articulação.
Segundo aliados, a exposição do embate e a repercussão nas redes sociais contribuíram diretamente para o recuo da ex-primeira-dama em relação à disputa pelo Senado.
A ex-primeira-dama também teria manifestado preocupação com o impacto da crise sobre a família, especialmente as filhas, além de relatar desmotivação com o ambiente político atual. Ela afirmou ainda que pretende concentrar atenção no ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar após condenação relacionada ao caso da trama golpista.
Parlamentares ligados ao grupo político, entre eles o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, o ex-deputado Alexandre Ramagem e o influenciador Paulo Figueiredo, passaram a criticar a postura adotada por Michelle após a divulgação dos vídeos.
Mesmo com o desgaste, Flávio Bolsonaro tenta manter a ex-primeira-dama no projeto eleitoral e a convidou para um evento de pré-campanha voltado ao público feminino. Até o momento, ela não confirmou presença.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também se reuniu com Michelle nesta terça-feira em tentativa de reduzir a tensão interna e recompor o alinhamento político.
O planejamento inicial do partido previa Michelle como candidata ao Senado pelo Distrito Federal, em composição que incluía a deputada Bia Kicis na segunda vaga e Celina Leão na disputa pelo governo local.
