Júri do caso Henry é o mais longo do Rio de Janeiro

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O júri do caso Henry atingiu o oitavo dia consecutivo de sessão nesta segunda-feira, 1º, no 2º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, e passou a ser o mais longo registrado no tribunal do estado, superando o julgamento da ex-deputada federal Flordelis.

Durante a manhã e parte da tarde foi ouvido o perito Leonardo Huber Tauil, indicado pela defesa de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho. Tauil é o perito que assinou o laudo cadavérico do menino Henry Borel no Instituto Médico Legal e foi o 21º a depor perante o Conselho de Sentença.

O perito reafirmou a conclusão sobre a causa da morte. “hemorragia interna resultada de lesão hepática por ação contundente”. Ele informou ter participado do laudo inicial e de seis complementações, e ter vistoriado o apartamento onde a acusação sustenta que ocorreram as agressões, sem identificar nenhum móvel capaz de provocar a lesão apontada.

Imagens do corpo de Henry foram exibidas em juízo durante o depoimento de Tauil, e a ré Monique Medeiros deixou o plenário no momento em que as imagens foram apresentadas. Monique já havia se retirado na última sexta-feira, 29, quando prestou depoimento o perito Luiz Carlos Leal Prestes.

Depoimentos e relatos

Desde a segunda-feira, 25, o júri ouviu testemunhas arroladas pelo juízo, pela acusação e pelas defesas, entre elas o pai da criança, Leniel Borel, que atua na assistência da acusação e também prestou depoimento contra o ex-casal. Leniel manifestou a convicção de que Monique também tem responsabilidade pela morte do filho.

Duas ex-namoradas de Jairinho e a filha de uma delas relataram ao Conselho de Sentença que o ex-vereador agrediu os respectivos filhos quando eram crianças. A babá de Henry, Thayná de Oliveira Ferreira, confirmou que avisou a mãe da criança sobre suspeitas de agressões por parte de Jairinho e relatou que, após a morte, foi orientada por Monique a apagar mensagens trocadas entre as duas.

O irmão de Monique, o engenheiro Bryan Medeiros da Costa Silva, descreveu de forma afetuosa a convivência familiar. Entre as testemunhas já ouvidas estiveram profissionais que atuaram no caso e no atendimento à família, peritos e pessoas do convívio direto dos réus.

Ordem dos depoimentos e andamento

As defesas esperam que a parte de testemunhas seja concluída ainda nesta segunda-feira, para que terça-feira, 2, seja reservada para os depoimentos dos réus. A defesa de Jairinho obteve liminar que determina que o ex-vereador preste depoimento depois de Monique, decisão considerada pela sua defesa “indispensável para garantir a plenitude de defesa, permitindo que Jairo tenha conhecimento prévio das acusações que lhe serão dirigidas em juízo”. A defesa de Monique afirma que ela está preparada para depor a qualquer momento.

Os advogados das partes devem apresentar suas alegações na quarta-feira, 3, e a sentença é prevista para a passagem de quarta-feira, 3, para quinta-feira, 4, data do feriado de Corpus Christi no Rio de Janeiro. Além de Tauil, ainda será ouvido o médico Jeferson Evangelista Correa, assistente técnico da defesa.

Das 27 testemunhas inicialmente arroladas, quatro foram liberadas. Jairinho dispensou o psiquiatra Hewdy Lobo Ribeiro e a assessora Cristiane Izidoro. O pai do réu, o Coronel Jairo, também prestou depoimento.

O Conselho de Sentença é formado por sete jurados, neste julgamento composto por cinco homens e duas mulheres, e acompanha as sessões de forma ininterrupta. Durante os intervalos os jurados permanecem no tribunal, não podem conversar entre si nem com terceiros sobre o processo, nem ter contato com redes sociais ou notícias. Durante o pernoite ficam sob vigilância em uma espécie de alojamento no Tribunal de Justiça do Rio.

A magistrada Elizabeth Machado Louro preside o júri, o veredicto será formado pelo voto sigiloso dos jurados por maioria simples, e caberá à juíza a dosimetria da eventual pena em caso de condenação.

Entre as testemunhas já ouvidas em sessão de julgamento estão o delegado Edson Damasceno, a delegada Ana Carolina Medeiros, o psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro, a médica Maria Cristina de Souza, Kaylane de Oliveira, Natasha de Oliveira, Débora de Oliveira, Leila Rosângela de Souza Mattos, Tereza Cristina dos Santos, Paloma dos Santos, os peritos Luiz Carlos Leal Prestes e Luiz Airton Saavedra, Leniel Borel, Bryan Medeiros, Ari Mamed, Márcia Eduarda Vieira, Thayná de Oliveira Ferreira, o coronel Jairo, Fernanda Abdul Figueiredo e Miriam Santos Rebelo Costa.

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