El Niño ganha força em junho e sul do país deve registrar aumento de chuva
O boletim semanal da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera mostra que a anomalia da temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 era de +0,5ºC pelo novo critério de monitoramento, valor que enquadra o fenômeno no limite de um El Niño fraco, enquanto pelo método tradicional a anomalia registrada foi de +1,0ºC e se manteve por seis semanas seguidas indicando condição de El Niño moderado.
Com o aquecimento vindo das camadas mais profundas do oceano e os primeiros sinais de resposta atmosférica, projeta se que o acoplamento entre oceano e atmosfera fique plenamente configurado ao longo de junho, o que aumenta a probabilidade de a NOAA reconhecer formalmente o início do El Niño por volta da metade do mês ou em seu final.
Previsão de chuva
Junho abre o trimestre do inverno climático e historicamente traz redução da chuva no Centro do Brasil pela estação seca e aumento das precipitações no Sul, sobretudo no Rio Grande do Sul, onde a ocorrência de frentes quentes que avançam sobre massas de ar frio costuma gerar chuva volumosa e temporais.
Em Porto Alegre a climatologia 1991 2020 aponta temperatura mínima média de 11,3ºC e máxima média de 20,3ºC, com temperatura média mensal de 14,8ºC e precipitação média de 130,4 mm, valores que colocam junho entre os meses mais frios e entre os meses com maior volume de chuva na capital gaúcha.
Enquanto isso em São Paulo a instalação da estação seca costuma reduzir a chuva e a precipitação média de junho na capital é de 59,7 mm, com temperatura mínima média de 13,5ºC e máxima média de 20,3ºC, segundo a série climatológica usada nas normais recentes.
Comparações entre as séries históricas mostram que junho em Porto Alegre ficou menos frio nas últimas décadas, com a média mínima passando de 10,7ºC na série 1961 1990 para 11,3ºC na série 1991 2020, e a média máxima subindo de 19,2ºC para 20,3ºC, enquanto a chuva praticamente não sofreu alteração expressiva entre os períodos.
Modelos climáticos internacionais apresentam diferenças nas projeções para o mês, mas há consenso em relação a um cenário de maior chuva em partes do Sul e possibilidade de precipitações acima da média em áreas do Paraná e parte de Santa Catarina, com sistemas que podem evoluir do Nordeste da Argentina e do Paraguai em direção aos estados.
O modelo europeu indica volumes elevados no Paraná e em trechos de Santa Catarina, o que aumenta o risco de alagamentos e de inundações pontuais em áreas susceptíveis, enquanto a análise de tendência para o estado gaúcho aponta, em geral, um junho com chuva próxima ou abaixo da média na maioria das regiões, com maior probabilidade de volumes acima da média na metade Norte do estado.
Além do Sul, algumas áreas do Centro-Oeste e do Sudeste também podem registrar precipitações acima das médias mensais, notadamente no Mato Grosso do Sul, em São Paulo, em partes de Minas Gerais e no Rio de Janeiro, localidades que normalmente têm chuva mais baixa no inverno mas que neste cenário podem receber maior aporte pluviométrico.
Quanto à temperatura, as projeções divergem: o modelo europeu sugere temperaturas mais baixas no Sul e em pontos de São Paulo e do Mato Grosso do Sul, enquanto o modelo estadunidense aponta tendência de temperatura acima da média em grande parte do Centro Sul do Brasil.
Na avaliação da MetSul, reunindo vários modelos e dados, junho não deve repetir a sequência de frio extremo observada em maio e a probabilidade de um mês com número muito elevado de mínimas negativas é baixa; a expectativa é de temperaturas acima da média na maior parte do Centro Oeste, com marcas superiores à climatologia histórica em Mato Grosso e Goiás.
No Mato Grosso do Sul a temperatura tende a ficar mais próxima da média, com desvios negativos mais ao Sul do estado e positivos ao Norte, e no Sudeste o panorama é de temperaturas próximas ou acima da média na maioria das áreas, especialmente do Centro para o Norte de São Paulo e em Minas Gerais.
No Sul do país a previsão indica temperaturas em geral próximas ou ligeiramente acima da média nas áreas mais ao Norte da região e valores perto da média ou com desvios negativos em pontos do Rio Grande do Sul, sendo que junho permanece como um mês em que as noites tendem a ser frias mesmo quando as médias diurnas ficam próximas ou um pouco superiores ao normal.
O começo do mês deve apresentar tardes mais amenas no Sul e temperaturas abaixo da média no Sudeste pela passagem de uma massa de ar frio com trajetória oceânica, e a partir da metade do mês a chance de uma ou duas incursões de ar frio mais fortes sobre o Sul aumenta, o que pode alterar temporariamente o quadro térmico e pluviométrico nas regiões afetadas.
