Projeto instala tanque sustentável de iscas e muda rotina de mulheres no Pantanal de MS
Mulheres catadoras de iscas de Porto Morrinho, distrito localizado a cerca de 70 quilômetros de Corumbá, começaram a aumentar a renda e reduzir os riscos do trabalho após a instalação do primeiro tanque sustentável de iscas de Mato Grosso do Sul. A estrutura foi implantada por meio de parceria entre o Instituto Federal de Mato Grosso do Sul e a senadora Soraya Thronicke, dentro do programa IFMS na Comunidade.
O tanque entrou em funcionamento em janeiro de 2026 com 10 mil lambaris e atende cinco mulheres da comunidade pantaneira. Em três meses de operação, o grupo comercializou cerca de 10 mil iscas e manteve mil peixes separados para reprodução, garantindo a continuidade da produção.
A criação ocorre próxima às residências das trabalhadoras, o que eliminou parte dos deslocamentos até rios e áreas alagadas usadas tradicionalmente na captura dos peixes. Antes da implantação do projeto, as mulheres permaneciam longos períodos dentro da água, expostas a ataques de piranhas, jacarés e problemas de saúde decorrentes da atividade.
As iscas são vendidas tanto para pescadores quanto para pousadas da região que recebem turistas durante a temporada de pesca. O valor médio de comercialização gira em torno de R$ 1,50 por unidade. A estimativa apresentada pelo projeto aponta possibilidade de renda anual de até R$ 25 mil para as participantes.
O investimento destinado para implantação da estrutura foi de R$ 20 mil. O recurso foi aplicado pelo instituto parceiro na instalação do tanque, que possui sistema considerado ambientalmente correto e sem geração de resíduos.
Mulheres relatam mudança na rotina
Uma das beneficiadas pelo projeto, Rosenete Carvalho afirmou que a iniciativa trouxe mais segurança e melhores condições de trabalho para as mulheres da comunidade.
“Hoje, não é mais necessário fazer tanto esforço para pegar as iscas. Você trabalha do seu quintal e isso é maravilhoso. Só temos gratidão por todos que estão envolvidos nesse trabalho tão importante para nós mulheres pantaneiras”, declarou.
Segundo a diretora do campus de Corumbá do IFMS, Renilce Barbosa, o projeto também tem impacto social ao reduzir os riscos enfrentados diariamente pelas trabalhadoras.
“O projeto representa muito mais que uma tecnologia de produção de iscas vivas. Ele simboliza dignidade, geração de renda, autonomia e, sobretudo, redução dos riscos enfrentados diariamente por mulheres que precisavam entrar nos igarapés para realizar a captura das iscas”, afirmou.
A senadora Soraya Thronicke disse que a proposta busca unir geração de renda, preservação ambiental e fortalecimento das comunidades pantaneiras.
“Quando investimos nas mulheres pantaneiras, fortalecemos as famílias, preservamos tradições e impulsionamos o desenvolvimento das comunidades. Esse projeto representa dignidade, geração de renda e mais segurança para trabalhadoras que, historicamente, enfrentam tantos desafios para sustentar suas casas”, declarou.
