A seca ganhou força no Pantanal de Mato Grosso do Sul durante agosto e chegou a apresentar focos isolados classificados como severos em um dos indicadores acompanhados pelo Cemtec. O cenário representa uma piora em relação a julho e contrasta com agosto de 2025, quando o mesmo índice apontava condições úmidas na região.
A análise utiliza o SPEI, indicador que considera tanto a quantidade de chuva quanto a evapotranspiração e é acompanhado em períodos de três, seis e 12 meses. No Pantanal, os resultados de agosto ficaram principalmente entre -1 e -2, faixa associada às condições de seca.
Focos isolados atingiram valores entre -2 e -3 nas avaliações de três e 12 meses, classificados pelo boletim como seca severa. O documento, porém, não identifica quais municípios estavam dentro desses pontos mais críticos.
Os volumes de chuva também ficaram abaixo da média histórica em grande parte das estações monitoradas no Estado. Norte, noroeste e áreas pantaneiras concentraram os menores acumulados, enquanto o extremo sul recebeu os maiores volumes.
Em Corumbá, as fazendas Eldorado da Formosa e Campo Zélia registraram apenas 6,6 milímetros de chuva cada uma, quantidade 77% inferior à média histórica para agosto. Na Serra do Amolar, a redução ficou em 33%.
Outras áreas do Pantanal também terminaram o mês com déficit. A Fazenda Barranco Alto, em Aquidauana, recebeu 11% menos chuva que o esperado, enquanto a Fazenda São Luís, em Porto Murtinho, terminou agosto 41% abaixo da referência histórica.
Entre todos os pontos apresentados no levantamento do Cemtec, Alcinópolis teve o menor volume, com apenas 1,2 milímetro, resultado 95% inferior à média da estação. Na direção oposta, Ponta Porã acumulou 119,2 milímetros, 126% acima do esperado, e também houve volumes superiores à média em Aral Moreira e Porto Murtinho.
Indicadores mostram situações diferentes no Estado
Na comparação com julho, o principal sinal de mudança apareceu justamente no Pantanal. O boletim anterior indicava pouca chuva na região, mas apontava redução geral da intensidade da seca em Mato Grosso do Sul na comparação com junho. Em agosto, o SPEI passou a mostrar avanço e intensificação da seca pantaneira.
O centro do Estado permaneceu com condições úmidas nas três escalas analisadas pelo indicador. Já o nordeste continuou como a área mais crítica quando considerado o período de 12 meses, com valores entre -2 e -3, embora tenha ocorrido uma pequena redução dos núcleos mais extremos em relação a julho.
Outro indicador utilizado no acompanhamento, o SPI, considera apenas a precipitação. Nesse índice, houve melhora da seca de curto e médio prazo em grande parte do Estado, enquanto os déficits na análise de 12 meses continuaram no Bolsão e no sul.
O Monitor de Secas apresenta uma leitura diferente para os municípios pantaneiros. Ladário permaneceu classificado em seca moderada entre julho e agosto, enquanto Corumbá, Miranda, Aquidauana, Rio Verde de Mato Grosso, Coxim e Pedro Gomes aparecem com seca fraca.
Nenhum município de Mato Grosso do Sul foi colocado pelo Monitor de Secas nas categorias grave, extrema ou excepcional em agosto. Por isso, os focos de seca severa detectados pelo SPEI não representam automaticamente mudança de classificação dos municípios nesse outro sistema de acompanhamento.
Em agosto de 2025, a situação era diferente. O SPEI apontava condições úmidas no norte e no Pantanal, enquanto o SPI indicava excedente de chuva na região pantaneira e a seca fraca havia desaparecido da porção oeste do Estado.
Para os próximos meses, o boletim trabalha com previsão de El Niño de intensidade muito forte entre outubro e dezembro, cenário que deve continuar no trimestre seguinte. A projeção do Cemtec indica tendência geral de chuva e temperaturas acima da média em Mato Grosso do Sul.
O documento também aponta possibilidade de ondas de calor mais frequentes e tempestades mais intensas, mas ressalta que o El Niño atua em conjunto com outros sistemas atmosféricos e não é apontado como causa direta da seca observada em agosto.