Rodar MS deve baratear transporte e reduzir em mais de um terço custos de manutenção

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O governo de Mato Grosso do Sul formalizou a contratação de crédito junto ao Banco Mundial para viabilizar o Rodar MS, iniciativa que prevê a renovação de praticamente 1.000 quilômetros de rodovias pavimentadas e a adoção de práticas que devem reduzir em até 38% o custo da atual gestão logística rodoviária.

O projeto também traz impacto direto às empresas e à população, uma vez que há expectativa de queda de até quatro vezes no valor dos custos operacionais dos veículos de carga, conforme avaliação usada como referência pelo próprio Banco Mundial.

O Rodar MS foi desenhado dentro do modelo Crema, que combina contratos de restauração e manutenção por prazos estabelecidos e exige garantia de desempenho. A estrutura prevê duas vertentes de contratação, DBM e PPP, com integração de projeto, obra e manutenção e pagamento condicionado ao cumprimento de indicadores de desempenho.

No modelo DBM serão contemplados 730,3 quilômetros, sendo 686,4 quilômetros de eixo principal e 43,8 quilômetros de travessia urbana, com contrato de duração de dez anos e repasses vinculados não apenas à execução dos serviços, mas também à qualidade das obras.

Na alternativa por PPP, destinada ao Bolsão, serão 208,7 quilômetros de rodovias com contrato de manutenção por 30 anos. As rodovias incluídas nesse trecho são a MS-377 entre Água Clara e Inocência e a MS-240 entre Inocência e Paranaíba, totalizando 128,14 quilômetros na MS-377 entre a BR-158 e a MS-112 e 80,56 quilômetros na MS-240 entre a BR-262 e a MS-112.

O programa estima investimento total de US$ 250 milhões, com US$ 200 milhões provenientes do Banco Mundial e contrapartida estadual de US$ 50 milhões, valor que corresponde, na cotação informada, a aproximadamente R$ 1,25 bilhão.

O alcance territorial do Rodar MS alcança 22 municípios de forma direta e indireta, dos quais 18 estão na região leste do estado, onde se localiza o Vale do Ivinhema, e quatro no Bolsão, território conhecido como Vale da Celulose. Entre os municípios impactados no Bolsão estão Água Clara, Inocência, Paranaíba e Três Lagoas.

O secretário de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara, detalha o papel do contratado no novo formato de gestão. “A maior vantagem que Mato Grosso do Sul terá ao adotar o Crema é que a empresa contratada é quem irá executar o projeto executivo. Ela fecha o contrato através de um projeto básico e propõe o projeto executivo, que segue para aprovação da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos). Daí é que ela [a empresa] executa os primeiros dos anos de restauração da rodovia”.

O titular da secretaria ressalta a relação direta entre qualidade da restauração e redução futura de custos de manutenção. “Quanto melhor for a restauração, menos custo terá para a manutenção. Daí a vantagem da empresa fazer um ótimo projeto e uma excelente execução”.

Além da renovação de pavimentos e da manutenção programada, o Rodar MS incorpora ações voltadas à segurança viária e à acessibilidade. Em conjunto com o Escritório de Parcerias Estratégicas, a Secretaria planeja intervenções nas imediações de 24 escolas públicas municipais e estaduais para reduzir riscos de travessia, proteger estudantes e melhorar condições de deslocamento de pedestres e ciclistas.

Essas ações incluem diagnóstico técnico prévio para orientar decisões e otimizar a alocação de recursos públicos, priorizando locais de maior criticidade, com objetivo de criar ambientes escolares mais seguros e inclusivos.

O modelo de pagamento por indicadores e a previsão de intervenções de segurança rodoviária buscam, de forma articulada, ampliar a durabilidade das obras, aumentar o conforto e a segurança dos usuários e reduzir a necessidade de reparos emergenciais, entregando uma gestão mais eficiente do patrimônio viário estadual.

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