HRPP realiza primeira captação de órgãos e amplia referência em transplantes
O Hospital Regional de Ponta Porã realizou a primeira captação de órgãos de sua história na noite de segunda-feira e possibilitou a doação de dois rins, duas córneas e um fígado para pacientes que aguardam transplante pelo SUS.
A doadora era uma jovem de 32 anos e o procedimento só foi concluído às 23h15 em razão de instabilidade meteorológica que impossibilitou o pouso de uma aeronave da Força Aérea Brasileira que vinha de Brasília, exigindo a readequação da logística da operação.
As equipes envolvidas integraram profissionais do e-DOT do próprio HRPP, a Organização de Procura de Órgãos de Dourados e um grupo especializado de Campo Grande comandado pelo cirurgião Gustavo Rapassi, diretor clínico da Fratello Transplantes, além do suporte operacional da Central Estadual de Transplantes.
O papel da Central Estadual de Transplantes envolveu o gerenciamento de todas as etapas em âmbito estadual, desde a notificação do potencial doador até a distribuição dos órgãos, coordenando também a logística que incluiu aeronaves, transporte terrestre e equipes especializadas.
Um dos grandes avanços recentes foi a melhoria na confirmação do diagnóstico de morte encefálica segundo a coordenadora da CET/MS, Claire Carmen Miozzo. “Historicamente, a maior dificuldade era o fechamento do diagnóstico, especialmente pela ausência de exames como a arteriografia. Hoje, com esse recurso disponível, o processo se tornou mais ágil e seguro.”
Para o diretor técnico do HRPP, o médico Antonio Martinussi, o gesto da família teve impacto direto na transformação do luto em esperança. “Este procedimento oferece um novo significado para a perda. Um momento tão doloroso passa a ter outro sentido ao saber que vidas serão salvas.”
A enfermeira responsável pela e-DOT, Gemana Fortaleza, destacou o caráter inaugural da operação e a perspectiva de fortalecimento das ações de doação e transplantes na região, apontando o procedimento como um primeiro passo para ampliar esse tipo de atendimento no município e estados vizinhos.
O êxito da captação também é visto como reflexo da modernização da unidade hospitalar. Desde agosto de 2025 o HRPP é gerido pelo Instituto Social Mais Saúde e dispõe de 117 leitos incluindo UTI, centro cirúrgico com três salas e um corpo clínico de cerca de 100 profissionais, além de oferta de atendimentos ambulatoriais.
Para o diretor-geral Alex Cruz o acontecimento reforça o papel estratégico do hospital para o estado. “Promover esta captação fortalece nosso compromisso com o cuidado humanizado e a assistência de alta complexidade. O HRPP se firma como uma referência de qualidade para o Estado.”
O sistema de doação de órgãos no Brasil segue protocolos rigorosos e a doação só ocorre após confirmação de morte encefálica e autorização familiar, com sigilo sobre a identidade de doadores e receptores e sobre o destino dos órgãos.
Reforçando que todo esse processo só é possível graças ao gesto de solidariedade das famílias, que, mesmo em um momento de dor, optam por salvar outras vidas por meio da doação finaliza a coordenadora da Central de Transplantes de MS.

