Namorado que matou subtenente em MS tem 20 passagens pela polícia e histórico de agressões contra ex
Gilberto Jarson, de 50 anos, foi detido em flagrante na tarde de segunda-feira, 6 de abril, pelo feminicídio da subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues, de 59, ocorrido na casa da vítima no bairro Estrela Dalva, em Campo Grande. Conforme informações apuradas, o suspeito possui um extenso registro criminal com 20 passagens pela polícia, incluindo múltiplas acusações por ameaça, violência doméstica e associação criminosa.
A violência do homem foi relatada por uma ex-companheira há uma década, com registros policiais indicando que, em 2016, Gilberto já havia sido denunciado por agressão, em um período de quase dois anos de separação.
Antes disso, ela formalizou dois boletins de ocorrência por ameaça e injúria, conseguindo uma medida protetiva que, mesmo em vigor, não impediu o suspeito de ser avistado nas proximidades de sua residência.
Em uma ocasião detalhada nos autos, a mulher dirigia-se a um culto religioso com seu filho de quatro anos no colo e, ao passar por um bar, percebeu a presença de Gilberto, que proferiu xingamentos de baixo calão em voz alta.
Apesar de tentar seguir seu caminho, o homem se aproximou, arremessou um capacete e, em seguida, agrediu a mulher com socos no olho e na cabeça, mesmo ela segurando a criança, levando-a à queda, momento em que uma pessoa removeu o filho de perto do agressor.
A violência continuou quando Gilberto pegou um banco de madeira do bar e o utilizou para golpear a cabeça da ex-companheira, que relatou às autoridades ter desferido um chute em legítima defesa.
O agressor somente interrompeu os ataques ao notar o sangramento na cabeça da vítima e, antes de fugir, a ameaçou de morte “de qualquer jeito”. A ex-companheira necessitou de atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde recebeu dois pontos na cabeça, expressando temer por sua vida e revelando o uso de drogas por Gilberto.
No dia do feminicídio da subtenente Marlene, o crime aconteceu no horário do almoço e um vizinho, que também é policial, foi o primeiro a chegar ao local, alertado por outra vizinha que ouviu o disparo.
O militar encontrou Gilberto com as mãos ensanguentadas e, diante da demora do suspeito em abrir o portão trancado, pulou o muro, encontrando Gilberto ao telefone e com a arma na mão direita. O policial ordenou que ele soltasse o revólver, que foi então colocado sobre um baú, e Marlene ainda apresentava sinais vitais, mas não resistiu aos ferimentos após o vizinho acionar os serviços de emergência (192, 193 e 190).
Outros vizinhos confirmaram às autoridades que as brigas entre o casal eram constantes, com uma testemunha afirmando ter frequentemente ouvido Gilberto gritando com Marlene e, em uma ocasião anterior, escutado a subtenente pedir socorro.
Questionado pelos policiais do 9º Batalhão da PMMS que atenderam a ocorrência, Gilberto apresentou diferentes versões sobre os fatos, alegando ter ligado para a polícia após o tiro e, ao mostrar o celular, foi identificada também uma chamada para seu advogado, momento em que defendeu que a ligação ocorreu porque possuía provas de que a vítima “manifestava intenção de cometer suicídio”, negando qualquer desentendimento na data do crime.
Feminicídios em Mato Grosso do Sul e a rede de apoio
A morte da subtenente Marlene de Brito Rodrigues em 6 de abril eleva para nove o número de feminicídios registrados em Mato Grosso do Sul no ano de 2026, lista que inclui Josefa dos Santos (Bela Vista), em 16 de janeiro; Rosana Candia Ohara (Corumbá), em 24 de janeiro; Nilza de Almeida Lima (Coxim), em 22 de fevereiro; Beatriz Benevides da Silva (Três Lagoas), em 25 de fevereiro; Liliane de Souza Bonfim Duarte (Ponta Porã), em 6 de março; Leise Aparecida Cruz (Anastácio), em 6 de março; Ereni Benites (Paranhos), em 8 de março; e Fátima Aparecida da Silva (Selvíria), em 23 de março.
Mulheres que enfrentam situações de violência em Campo Grande podem procurar a Casa da Mulher Brasileira, localizada na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá, com atendimento 24 horas, incluindo fins de semana.
O local integra serviços como a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Defensoria Pública, Ministério Público, Vara Judicial de Medidas Protetivas, além de suporte social e psicológico, alojamento, brinquedoteca para crianças, Patrulha Maria da Penha e Guarda Municipal, sendo possível contatar o número 153 para assistência.
Para outras formas de contato, estão disponíveis o 180, que assegura o anonimato de quem liga e serve para acolhimento e orientação em todo o Brasil (não sendo um número de emergência, mas funcionando 24 horas, sete dias por semana), e o 190 para emergências.
O Promuse também oferece o telefone (67) 99180-0542 para ligações, enquanto denúncias sobre deszelo ou erros da Polícia Civil de MS podem ser feitas diretamente na Corregedoria da Polícia Civil pelo telefone (67) 3314-1896, ou no GACEP (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.
