Irã mantém estreito de Ormuz fechado para EUA e Israel
Bloqueio à navegação atinge economia mundial e países buscam soluções sem os estados unidos
O Irã mantém o Estreito de Ormuz fechado para embarcações dos Estados Unidos e de Israel desde o ataque sofrido em 28 de janeiro, uma medida que Teerã planeja estender por longo prazo para esses dois países. Essa postura iraniana gera uma crescente preocupação internacional, com o Reino Unido acusando a nação de “manter a economia mundial como refém”. Diplomatas de mais de 40 países participaram de uma reunião virtual para discutir a reabertura da rota marítima vital.
A paralisação do tráfego na passagem, por onde circulam aproximadamente 20% das exportações globais de petróleo, já provoca impactos significativos nos preços de combustíveis e no suprimento de fertilizantes em todo o mundo. Diante dessa situação, cerca de quarenta nações, sob a liderança do Reino Unido, exigem a reabertura imediata e incondicional do estreito, com a consideração de possíveis sanções econômicas. Paralelamente, o Conselho de Cooperação do Golfo, que congrega países da região, solicitou ao Conselho de Segurança da ONU autorização para o uso da força a fim de liberar a via marítima.
Apesar da pressão internacional, o Irã afirmou estar desenvolvendo, em conjunto com Omã, um protocolo para gerenciar o tráfego marítimo no estreito. Contudo, o vice-ministro de Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, indicou à agência estatal russa Sputnik que tal acordo só entraria em vigor após o término da guerra com Estados Unidos e Israel. Segundo Teerã, mesmo com a possível implementação de um protocolo, a reabertura não incluiria navios ligados a esses dois países. Em contrapartida, a Rússia, aliada do regime iraniano, garante que o Estreito de Ormuz permanece acessível para suas próprias embarcações.
O tráfego no Estreito de Ormuz foi praticamente interrompido devido a ataques iranianos e à ameaça de novas ofensivas contra navios comerciais. Desde o início do conflito em 28 de fevereiro, a empresa de dados marítimos Lloyd’s List Intelligence registrou 23 ataques diretos a embarcações, culminando na morte de 11 tripulantes. O fluxo de navios diminuiu drasticamente, e os poucos petroleiros que ainda cruzam a área são, em sua maioria, aqueles que tentam contornar sanções para transportar petróleo iraniano.
Os Estados Unidos não participaram do encontro virtual entre os mais de 40 países para discutir a situação em Ormuz. Essa ausência seguiu a declaração do presidente Donald Trump de que a garantia da segurança da via marítima não é uma responsabilidade americana. Em um discurso, ele afirmou que os países dependentes do petróleo da região “devem cuidar disso”, sinalizando a não intervenção dos EUA, além de criticar aliados europeus e ameaçar retirar o país da Otan. Embora os EUA não importem petróleo e gás diretamente por Ormuz, a redução da oferta global eleva o preço do barril, impactando diretamente o mercado americano e a popularidade do presidente entre os eleitores, que já sentem a alta nos preços da gasolina, transporte e mercadorias.


