Trump diz que foco é desmantelar forças do Irã e minimiza alta do petróleo
Na noite de quarta-feira (1º), em seu primeiro pronunciamento nacional desde o início da guerra, o presidente dos Estados Unidos afirmou que as forças militares estão “desmantelando sistematicamente” a capacidade de defesa do regime do Irã e que os objetivos “estratégicos centrais” do conflito, iniciado há 32 dias, estariam próximos de serem atingidos.
Logo após reafirmar vitórias no campo de batalha, ele sinalizou intensificação das operações e estabeleceu um prazo para ações mais duras.
“Vamos atacar com extrema força nas próximas duas a três semanas. Vamos levá-los de volta à idade da pedra, onde pertencem. Enquanto isso, as negociações continuam. Mudança de regime não era nosso objetivo — nunca dissemos isso —, mas ela ocorreu em função da morte de praticamente todos os líderes originais. Todos morreram”
Alvos e regras de ataque
O presidente afirmou que o novo comando no Irã é menos radical, mas manteve a advertência sobre alvos definidos caso não haja acordo.
“O novo grupo é menos radical e mais razoável. Ainda assim, se nesse período não houver acordo, temos alvos estratégicos definidos.”
No discurso, ele apontou que as prioridades incluem infraestrutura energética e explicou a opção por preservar instalações petrolíferas para permitir qualquer reconstrução futura.
“Não atacamos o petróleo, embora seja o alvo mais fácil, porque isso eliminaria qualquer chance de sobrevivência ou reconstrução”
Em diversos trechos, sem apresentar evidências claras, houve exageros na retórica sobre o impacto das operações americanas nas forças iranianas.
“destruído e esmagado”
Ao mesmo tempo, permaneceu sem resposta a questões sobre o controle do Estreito de Ormuz e seus efeitos sobre o mercado global de combustíveis, pontos que têm pressionado preços internacionais.
Sobre a dependência pelo canal, ele afirmou que os Estados Unidos não dependem do tráfego comercial por ali e apontou responsabilidade a outros países consumidores.
“Os Estados Unidos importam quase nenhum petróleo pelo Estreito de Ormuz — e não importarão no futuro. Não precisamos disso. Derrotamos e praticamente dizimamos o Irã. Eles estão devastados e os países do mundo que recebem petróleo pelo Estreito de Ormuz precisam cuidar dessa passagem.Nós ajudaremos, mas devem liderar a proteção do petróleo do qual dependem tanto”
O presidente citou ainda apoio de aliados regionais e agradeceu a cooperação de países que abrigam bases norte-americanas.
Ele mencionou Israel, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein.
Repercussão doméstica e preço do combustível
Ao tratar do impacto nos preços da gasolina, ele procurou relativizar o aumento recente, relacionando-o a ataques contra petroleiros em países vizinhos.
“Muitos americanos têm se preocupado com o recente aumento no preço da gasolina aqui no país. Esse aumento de curto prazo é resultado direto de ataques terroristas insanos do regime iraniano contra petroleiros comerciais em países vizinhos que nada têm a ver com o conflito. Isso é mais uma prova de que o Irã jamais pode ser confiável com armas nucleares”
Para justificar a continuidade da operação, o presidente comparou a duração do envolvimento americano em conflitos ao longo do século passado, apresentando a sequência histórica como referência temporal.
“A participação americana na Primeira Guerra Mundial durou 1 ano, 7 meses e 5 dias. A Segunda Guerra Mundial durou 3 anos, 8 meses e 25 dias. A Guerra da Coreia durou 3 anos, 1 mês e 2 dias. A Guerra do Vietnã durou 19 anos, 5 meses e 29 dias. A Guerra do Iraque durou 8 anos, 8 meses e 28 dias. Estamos nessa operação militar poderosa, estratégica, há 32 dias. E esse país foi devastado, deixando de ser uma ameaça relevante. Este é um investimento real no futuro dos seus filhos e netos”
O pronunciamento não fez referência às manifestações que reuniram centenas de milhares de pessoas em diversas cidades americanas no fim de semana anterior, protestos que criticaram tanto o envolvimento do governo na guerra quanto as ações policiais voltadas para deportações de imigrantes.
A cobertura da imprensa norte-americana registrou que essas mobilizações ocorreram em centros como Nova York, Dallas, Filadélfia e Washington, além de dezenas de cidades pequenas e médias, e que se trata da terceira onda de protestos nos últimos meses. Pesquisas mencionadas pela imprensa apontam que a avaliação do presidente se encontra em seu pior momento desde o início do segundo mandato, há pouco mais de um ano, com aprovação em torno de um terço, conforme levantamentos de institutos de pesquisa de opinião.

