Saúde libera R$ 900 mil para combater a Chikungunya em Dourados
O Ministério da Saúde autorizou um aporte emergencial de R$ 900 mil destinado a ações de vigilância, assistência e controle da Chikungunya na região da Grande Dourados, no Mato Grosso do Sul.
Em nota, a pasta informou que o valor será transferido em parcela única, do Fundo Nacional de Saúde (FNS) ao fundo municipal.
“Os recursos poderão ser utilizados para intensificar estratégias como vigilância em saúde, controle do mosquito Aedes aegypti, qualificação da assistência e apoio às equipes que atuam diretamente no atendimento à população”
A liberação integra um pacote de intervenções já em andamento, que inclui a implantação de mil Estaçōes Disseminadoras de Larvicida, conhecidas pela sigla EDL, projetadas para atingir criadouros de forma disseminada.
“Ao entrar em contato com o produto, o inseto passa a disseminar o larvicida em outros criadouros, contribuindo para interromper o ciclo de reprodução”
Além dos equipamentos de controle vetorial, técnicos da Coordenação-Geral de Vigilância de Arboviroses conduziram capacitação para agentes municipais, com foco no uso das novas tecnologias aplicadas ao controle do Aedes aegypti.
As ações federais também contemplam medidas direcionadas a populações indígenas afetadas no município. A atuação conjunta da Força Nacional do Sistema Único de Saúde e da Secretaria de Saúde Indígena resultou em 106 atendimentos domiciliares realizados nas aldeias Jaguapiru e Bororó.
Na última semana, o ministério instalou uma sala de situação para coordenar as ações federais e alinhar intervenções com gestores locais e estaduais.
“Posteriormente, a estrutura será levada ao território, com atuação integrada entre áreas técnicas, gestores estaduais e municipais e outros órgãos públicos, fortalecendo a tomada de decisão”
Desde o início de março, equipes de saúde e de combate às endemias visitaram mais de 2,2 mil residências nas aldeias da região, realizando mutirões de limpeza, eliminação de criadouros e aplicação de larvicidas e inseticidas.
Em caráter emergencial, o ministério autorizou a contratação temporária de 20 agentes de combate a endemias por meio de seleção por análise curricular, com previsão de início das atividades nas próximas semanas.
Desde 18 de março está em atuação no município a Força Nacional do SUS, com 34 profissionais mobilizados entre médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, priorizando áreas mais afetadas pela transmissão.
Entenda a doença
A Chikungunya é uma arbovirose transmitida pela picada de fêmeas do gênero Aedes, e no Brasil o vetor envolvido na transmissão é o Aedes aegypti.
O vírus foi introduzido no continente americano em 2013 e provocou epidemias em países da América Central e em ilhas do Caribe. No segundo semestre de 2014 o Brasil confirmou a presença do vírus por métodos laboratoriais nos estados do Amapá e da Bahia.
Atualmente, todos os estados brasileiros registram transmissão do arbovírus. Em 2023 houve importante dispersão territorial, especialmente em unidades da Federação da Região Sudeste, enquanto antes as maiores incidências concentravam-se no Nordeste.
Clinicamente a infecção costuma provocar edema e dor articular incapacitante, e pode apresentar manifestações extra articulares. Casos graves demandam internação hospitalar e podem evoluir para óbito.

