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Doação de sangue é legado de 52 anos que inspira nova geração no Hemosul

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Domingos encerrou uma trajetória de 52 anos como doador ao realizar a última coleta de sangue no Hemosul Coordenador em Campo Grande, episódio marcado pela presença profissional da filha no momento da punção e pela entrega de um certificado inédito concedido pela instituição.

Apenas quatro semanas antes de completar 70 anos, idade limite para doação segundo a legislação vigente, ele deixou um registro público da sua contribuição contínua à saúde pública.

Ao comentar o fechamento desse ciclo, Domingos expressou a motivação que o manteve doando por décadas

“Eu acho muito gratificante doar sangue, porque estamos ajudando o próximo. Já são 52 anos de doação. Se eu pudesse, doaria mais ainda, mas existe o limite de idade, que vai até os 70 anos”

O início do compromisso remonta à juventude em São Paulo, quando ele tinha 18 anos, e se manteve ao longo da vida como um hábito de cuidado com o outro.

Uma das doações que mais o marcou envolveu a ajuda a uma criança em situação de emergência, lembrança que Domingos trouxe como exemplo do impacto do gesto

“Ela precisava com urgência. Isso me tocou muito, porque penso que ajudei aquela criança a ter uma vida inteira pela frente”

O reconhecimento formal pela longa contribuição foi materializado com a emissão do certificado, medida que o Hemosul passou a oferecer como forma de homenagear doadores com trajetórias semelhantes, possibilitando que outros interessados solicitem o mesmo registro institucional.

Vínculo familiar e continuidade do exemplo

A participação de Vanessa dos Santos, técnica em enfermagem do Hemosul e filha de Domingos, transformou a última coleta em uma despedida familiar e simbólica, ao mesmo tempo em que reforçou o legado no âmbito profissional e pessoal.

Vanessa recordou a percepção que teve do pai desde a infância e a própria decisão de seguir o caminho da doação

“Desde muito pequena, eu via ele chegando da doação, com orgulho. E eu sempre falava: ‘Quando eu crescer, quero ser doadora de sangue igual ao meu pai'”

Ela relatou a superação do medo da agulha e o tempo até se tornar doadora, além da trajetória no serviço público de saúde

“Ele sempre dizia que não doía, que o mais importante era o sentimento. Levei um tempo, mas hoje já tenho cerca de 4 a 5 anos como doadora”

Vanessa é concursada da Secretaria de Estado de Saúde há quase 13 anos, soma 22 anos de experiência na enfermagem e atua há cinco meses no Hemosul, onde vive de perto a rotina da coleta de sangue

“Construí minha trajetória na enfermagem e hoje estou aqui, no Hemosul, vivendo isso de perto”

Ao acompanhar a homenagem ao pai, ela destacou o caráter solidário que orientou as ações dele e a emoção de retribuir de forma simbólica

“Ele está prestes a completar 70 anos, mas tem um espírito jovem. É o tipo de pessoa que, se você ligar de madrugada pedindo ajuda, ele vai. Ele se doa para os outros, isso faz parte da essência dele”

Sobre o ato que transformou o registro institucional em homenagem pessoal, Vanessa afirmou sua intenção de reconhecer a trajetória paterna

“Era para ser só uma comemoração para a página do Hemosul, mas virou uma homenagem minha para ele. Uma forma de retribuir tudo o que ele fez por mim”

A despedida foi também entendida como passagem de um ciclo para outro, interpretação que condensa a ideia de continuidade do legado

“Fecha um ciclo, mas começa outro. Ele encerrou essa fase com saúde, não por doença, mas porque chegou o tempo. Como diz a Bíblia, há tempo para todas as coisas”

Recomendações para quem pretende doar sangue

O Hemosul lembra que doar sangue exige boas condições de saúde e respeito a faixas etárias e intervalos entre coletas. Candidatos devem ter entre 16 e 69 anos, com menores participando acompanhados por responsável e primeiras doações limitadas até os 60 anos.

Além da idade, é necessário pesar no mínimo 51 quilos, estar alimentado preferindo evitar refeições gordurosas nas horas anteriores, apresentar documento oficial com foto, não ter ingerido bebida alcoólica nas últimas 12 horas e manter boa hidratação antes e depois da doação.

Existem também intervalos para novas doações que variam conforme o sexo do doador e prazos a serem observados em caso de vacinas, cirurgias ou outros procedimentos médicos. Antes de cada coleta, todos os candidatos passam por triagem clínica para garantir a segurança do doador e do receptor do sangue.

Domingos deixou uma mensagem direta à população para incentivar a prática solidária

“Muita gente tem medo por causa da agulha, mas não dói. Doar sangue é um gesto de amor. Todos deveriam doar, porque estamos salvando vidas”

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