Transporte aéreo de órgãos garante rapidez e amplia chances de transplante em MS
O transporte aéreo de órgãos realizado pela Coordenadoria de Transporte Aéreo da Casa Militar do Governo de Mato Grosso do Sul permitiu, ontem dia 24, a décima captação do ano, desta vez de fígado e rins, como parte de um convênio que já contabiliza 39 missões desde 2023, sendo 19 apenas no ano passado.
A ação de apoio inclui deslocamento de equipes médicas para a coleta no local do doador e transporte para cirurgias de transplante, com atuação em doadores de Dourados e, ao longo deste ano, também de Goiânia, Uruaçu e Três Lagoas, além de captações anteriores em Belo Horizonte, Curitiba, Sorocaba, Rio de Janeiro, Brasília, Rondônia, Anápolis, Rio Verde e Maringá, conforme informações do governo estadual.
O coronel Marcos Paulo Gimenez, Chefe da Casa Militar e responsável pelo CTA, situou a logística e a disponibilidade das equipes.
“É um convênio, que funciona muito bem, já salvamos várias vidas transportando as equipes que fazem os transplantes. Fazemos este trabalho sempre que estamos disponíveis, quando o órgão é compatível com o paciente, entre outros fatores. E isso é realizado em qualquer dia da semana e horário”
O cirurgião Gustavo Rapassi coordena o programa de transplante de fígado, rins e pâncreas do Estado e explicou como a operação aérea amplia as chances dos pacientes que aguardam um órgão.
“Os órgãos disponíveis em toda a região Centro-Oeste e Norte, quando não são compatíveis com receptores, eles são ofertados para outras regiões. Por conta das grandes distâncias, a gente só consegue captar com o apoio do transporte aéreo, realizado na maioria das vezes pela Casa Militar. E isso aumenta a chance dos receptores, dos nossos pacientes nossos que estão em fila para receber um órgão”
Rapassi também descreveu o impacto do tempo de deslocamento sobre o resultado das cirurgias e sobre a vida dos pacientes em espera.
“O transporte facilita bastante, porque o tempo de deslocamento dos órgãos é curto, e melhora resultado do transplante. Os pacientes que aguardam, estão numa situação de vida ou morte, e quando um órgão vem e ele perde por falta de transporte, a gente não sabe se aquele paciente vai receber uma segunda chance. Então, por isso que a disponibilidade da Casa Militar em nos ajudar é essencial”
Os pilotos que atuam nas missões destacaram a organização necessária para atender acionamentos imediatos e a capacidade de mobilização rápida. O delegado da Polícia Civil Enilton Zalla, piloto da CTA, e o tenente da Polícia Militar Avyner Falcão integram a equipe de voo e relataram a rotina operacional.
“Podemos ser chamados a qualquer momento. Todos nós somos preparados para estar no lugar em no máximo uma hora para atender esse tipo de demanda. E aí existe toda uma coordenação interna da parte de operações e dos pilotos, onde a gente analisa a possibilidade do voo, verifica se é possível e dá o start da missão, é um voo diferenciado. Exige de nós pilotos uma habilidade para fazer sempre da forma mais rápida e atender essa demanda de entrega do órgão”
Avyner falou sobre a experiência pessoal em operações de transporte de equipes para captação e o sentimento ao participar dessas missões.
“Eu cheguei mais recentemente, mas tive a grata oportunidade de fazer alguns voos relacionados ao transporte das equipes para captação de órgãos. E é algo diferente, muito gratificante”
Zalla, que atua há sete anos em missões de transporte de órgãos, ressaltou a importância da doação e fez um apelo à população por meio de mensagem pessoal.
“Nós trabalhamos dentro de um sistema de transporte de órgãos que ajuda muitas pessoas. Então quem tiver acesso a esta mensagem, eu peço que estimule o seu familiar a ser um doador de órgãos. Eu sei que é um momento muito triste, a perda de um familiar. Mas que possamos pensar que alguém está precisando. Assim mais pessoas poderão ter suas vidas salvas”
O piloto também recordou um caso em que a persistência do receptor e o apoio das equipes resultaram em vida salva.
“Eu lembro de um caso, de um paciente que já tinha tentando 12 vezes fazer o transplante, e por vários motivos não tinha dado certo. E só na 13ª vez ele conseguiu, isso foi há um ano. Esse paciente agradeceu muito por termos ajudado a salvar a vida dele”
O serviço do CTA funciona como apoio complementar às equipes médicas de captação e transplante sempre que há compatibilidade entre órgão e receptor e quando as condições operacionais permitem o deslocamento imediato, conforme a coordenação da Casa Militar e da Secretaria de Governo e Gestão Estratégica.
Operação e alcance
A estrutura inclui pilotos treinados para voos com prioridade e capacidade de mobilização rápida, com início de missão em média uma hora após o acionamento, atuando em qualquer dia da semana e horário quando as condições permitem.
Impacto para pacientes
A disponibilidade do transporte reduz o tempo entre a captação e a cirurgia, o que melhora os resultados dos transplantes e amplia a possibilidade de que pacientes em lista recebam uma nova chance de vida.

