Mato Grosso do Sul é sede de encontro global pela conservação ambiental
O Segmento de Alto Nível que antecedeu a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres foi sediado em Mato Grosso do Sul no domingo 22 e antecipou a CMS COP15 marcada para Campo Grande entre 23 e 29 de março, encontro que ocorre pela primeira vez no Brasil e deve reunir representantes de 133 países e cerca de 2 mil participantes.
O governador Eduardo Riedel ressaltou o protagonismo do estado na agenda de conservação e relacionou desenvolvimento e preservação em uma mesma estratégia. “Somos um Estado que carrega uma responsabilidade ambiental de escala global. Com três importantes biomas, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal, que é um dos ecossistemas mais preservados do planeta com cerca de 84% de sua vegetação nativa mantida. Proteger o Pantanal é proteger fluxos ecológicos que ultrapassam fronteiras. O que diferencia o Mato Grosso do Sul é como escolhemos desenvolver. Nosso Estado passou por um processo consistente de transformação produtiva, fizemos com entendimento claro de que desenvolvimento e conservação não são opostos”
Conforme o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima a escolha de Campo Grande para a COP15 demonstra prioridade do governo federal à conservação do Pantanal, a maior planície alagável do mundo e bioma reconhecido por sua biodiversidade, que é ponto logístico natural de migração.
A ministra Marina Silva ressaltou a necessidade de acordos e compromissos integrados entre países. “Precisamos de acordos, políticas integrais e compromissos conjuntos. Alinhar estratégias e reconhece que proteger espécies é proteger o equilíbrio global”
Participação e debates
O encontro contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do presidente do Paraguai Santiago Peña, de lideranças de seis convenções ambientais e de autoridades nacionais e internacionais, além de cientistas e representantes da sociedade civil.
O presidente Lula destacou a interdependência entre países e a necessidade de ação coletiva para garantir a sobrevivência das espécies. “O Pantanal simboliza de forma singular a riqueza natural da América do Sul e a interdependência de países cujas faunas e as floras atravessam fronteiras. A Convenção sobre Efeitos Migratórios nos lembra de uma mensagem simples, mas poderosa. Migrar é natural. Ao cruzar os continentes conectados com sistemas distantes, essas espécies revelam que a natureza não conhece limite entre estados. A onça pintada movimenta-se por quase todo o território preservado das Américas em busca de áreas para caçar e ser reproduzido por segurança. A sobrevivência dessas espécies depende de ação coletiva”
Entre os temas debatidos no High Level Segment estiveram o papel das zonas úmidas na conservação das espécies migratórias e os impactos de obras de infraestrutura na manutenção de habitats e rotas de migração, pautas que reforçam o vínculo entre perda de biodiversidade e alterações climáticas e a necessidade de respostas coordenadas entre as nações, análise que já ganhou destaque em conferências como a COP-30 realizada no fim de 2025 em Belém.
Riedel defendeu a combinação entre regulação e incentivos para tornar a conservação economicamente viável e alinhada à produção. “É preciso avançar para um modelo que combine regulação com incentivos inteligentes, que torne a conservação uma escolha economicamente viável e não apenas uma obrigação. É preciso ouvir a ciência. Esse é o caminho que estamos trilhando, alinhar produção e preservação, gerar valor a partir da natureza e posicionar o Estado como uma potência ambiental além de agropecuária. Esse é o caminho que estamos trilhando. A COP15 é uma oportunidade estratégica para avançarmos nessa agenda em escala global”
O Pantanal sul-mato-grossense foi destacado como ponto de parada para descanso e alimentação de 190 espécies de aves que transitam entre o hemisfério norte e o extremo sul do continente, evidenciando a importância de manter corredores e áreas protegidas.
Representando a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul participaram o secretário Jaime Verruck e o secretário-adjunto Artur Falcette, e a comitiva teve ainda a presença da ministra Simone Tebet na programação oficial.
Ao alternar decisões locais com compromissos internacionais e ao reunir chefes de Estado, cientistas e membros de organizações de defesa ambiental, o encontro em Mato Grosso do Sul reforçou a perspectiva de que proteger espécies migratórias exige políticas integradas que ultrapassem fronteiras e setores.


