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Pantanal é habitat vital para espécies migratórias, aponta relatório global

Aves migratórias voando sobre o Pantanal ao nascer do sol, com vida selvagem na água, ilustrando a importância do habitat.

Documento internacional revela aumento do risco de extinção e destaca a urgência de preservar zonas úmidas

Um relatório global recente, o “State of the World’s Migratory Species 2026”, sublinhou a importância estratégica do Pantanal, a maior área úmida tropical do planeta, como habitat essencial para espécies migratórias. O documento foi divulgado às vésperas da conferência global da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15 da CMS), que ocorrerá em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, entre 23 e 29 de março.

A análise adverte sobre o crescente risco de extinção para esses animais em todo o mundo. O estudo detalha que 24% das espécies migratórias catalogadas enfrentam ameaça de extinção, um aumento comparado aos 22% registrados em avaliações anteriores. Além disso, a tendência de queda populacional afeta 49% dessas espécies, um salto dos 44% previamente apontados.

Zonas úmidas, como o Pantanal, desempenham um papel crucial nas rotas migratórias globais, servindo como locais para alimentação, descanso e reprodução. Contudo, mais de um quinto dessas áreas vitais encontra-se em mau estado, com deterioração contínua observada entre 2011 e 2021, conforme indicado pelo Global Wetland Outlook 2025.

As pressões causadas por ações humanas, incluindo degradação de habitats, poluição, exploração excessiva de recursos naturais e as mudanças climáticas, impactam diversas fases das jornadas migratórias globalmente. A insuficiência de proteção ambiental é um fator que agrava a situação para espécies que dependem de ambientes específicos durante seus deslocamentos sazonais.

Existem 16.589 áreas-chave para a biodiversidade identificadas mundialmente, sendo 9.372 delas de grande relevância para as espécies migratórias. A proteção desses locais, porém, ainda é inadequada, com apenas 52,6% inseridos em unidades de conservação. Embora o estudo não especifique espécies do Pantanal sul-mato-grossense, ele reforça a importância das zonas úmidas para a fauna migratória, como aves, peixes e mamíferos aquáticos.

Para tentar reverter o cenário de ameaça, o relatório propõe medidas como a identificação ágil de habitats cruciais, o mapeamento minucioso de rotas migratórias, a proteção de corredores ecológicos e o estabelecimento de metas para reduzir pressões ambientais como poluição e exploração excessiva até 2032. 

O documento ressalta que “mais ações são necessárias para conservar, gerenciar e restaurar efetivamente as zonas úmidas restantes do mundo, para garantir que seu valor de biodiversidade não seja diminuído”. A conservação do Pantanal, nesse contexto, transcende as fronteiras brasileiras.

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