MPMS lança ferramenta para reduzir atropelamentos de animais na COP15
Plataforma Cofauna do MPMS, selecionada pelo Ministério do Meio Ambiente, terá lançamento oficial durante o evento internacional em Campo Grande em 2026
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio de seu Núcleo Ambiental, apresentará uma nova ferramenta essencial na Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15), agendada para ocorrer em Campo Grande entre 23 e 29 de março de 2026. O Mapa de Colisões com a Fauna (Cofauna), iniciativa da instituição, foi escolhido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) para seu lançamento oficial neste evento de grande importância internacional.
O Cofauna funciona como uma plataforma digital georreferenciada, criada para rastrear atropelamentos de animais silvestres. Ele abrange tanto as rodovias estaduais e federais de Mato Grosso do Sul quanto o perímetro urbano da capital, com dados integrados do Projeto Quapivara do MPMS. Segundo o Promotor de Justiça Luciano Furtado Loubet, coordenador do Núcleo Ambiental, o objetivo principal é converter informações brutas em inteligência ambiental.
Ao identificar com precisão os pontos de maior ocorrência de colisões, a ferramenta se mostra crucial para diversas áreas. O Cofauna auxilia o planejamento ambiental, orientando o licenciamento de novas vias e concessões, além de subsidiar políticas públicas para a instalação de passagens de fauna e cercamentos. A plataforma também contribui para a proteção de espécies, amenizando o impacto em animais residentes e migratórios, e para a segurança viária, diminuindo o risco de acidentes que podem ferir tanto condutores quanto passageiros.
O desenvolvimento do Cofauna é resultado direto do trabalho do Fórum Rota Sustentável de Prevenção a Colisões com a Fauna Silvestre, estabelecido em 2024 e também coordenado pelo MPMS. Este grupo congrega esforços de órgãos públicos como o Tribunal de Contas do Estado (TCE), Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (IMASUL), Polícia Rodoviária Federal (PRF) e Polícia Rodoviária Estadual (PRE), universidades como a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), e organizações da sociedade civil, incluindo o Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS), SOS Pantanal e o Instituto Homem Pantaneiro.
Desde sua criação, o Fórum tem sido uma voz técnica ativa em procedimentos de concessão de rodovias importantes, como as MS-040, MS-338 e MS-395, e as federais BR-262 e BR-267. Em 2025, as ações do grupo levaram a vistorias técnicas que confirmaram a necessidade de cercamento total em trechos considerados críticos, a exemplo da MS-345. Isso assegura que as ações de mitigação sejam implementadas onde sua efetividade é mais alta.
Além do mapeamento, o MPMS e os membros do Fórum trabalharam em conjunto com a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos (Agesul) e o Imasul para definir posicionamentos técnicos na consulta pública do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) sobre normas para cercas de proteção. O objetivo é estabelecer um padrão e aumentar o rigor técnico das barreiras físicas que impedem a entrada de animais nas pistas.
Com o lançamento oficial na COP15, o Cofauna posiciona Mato Grosso do Sul na liderança da gestão de dados para a conservação da fauna, oferecendo um modelo para outros estados e nações que buscam harmonizar o avanço da infraestrutura logística com a preservação do patrimônio natural.

