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Rio Paraguai atinge 5 metros em Cuiabá em março de 2026, mas níveis seguem baixos em Ladário

Rio Paraguai atinge 5 metros em Cuiabá em março de 2026, mas níveis seguem baixos em Ladário

Cheia do Rio Paraguai em 2026 eleva níveis em cabeceiras, mas avanço na parte baixa é lento

O Rio Paraguai experimenta uma cheia significativa em seu alto curso durante março de 2026, com elevações notáveis, embora a mesma intensidade ainda não tenha sido registrada na porção sul do Pantanal. Enquanto a capital mato-grossense, Cuiabá, observou o rio alcançar 5 metros, e Cáceres atingiu 4 metros no mesmo período, os níveis permanecem consideravelmente inferiores nas regiões mais baixas da bacia. Em Ladário, por exemplo, o pico de 1,22 metro está muito abaixo dos 3,31 metros alcançados em 2025.

Essa disparidade nos níveis hídricos reflete uma característica inerente ao sistema hidrológico do Pantanal, onde o fluxo lento do Rio Paraguai, em sua extensa planície, faz com que a onda de cheia leve semanas ou até meses para se propagar das cabeceiras, em Mato Grosso, até as áreas mais ao sul, em Mato Grosso do Sul. Dessa forma, o aumento observado em localidades como Cuiabá e Cáceres não se manifesta de forma imediata nas réguas instaladas no Pantanal sul-mato-grossense, pois a água avança gradualmente.

Conforme dados do Centro de Hidrografia e Navegação do Oeste (CHN-6), vinculado à Marinha do Brasil, os boletins de março de 2026 evidenciam que as estações mais ao norte do sistema registraram os maiores níveis. Na capital Cuiabá, por exemplo, o rio alcançou 5 metros, com uma média de 2,96 metros e mínima de 1,58 metro. Esses valores superaram os picos de 2025, que foram de 4,17 metros, e de 2024, que registrou 3,50 metros.

Em Cáceres, também em Mato Grosso, a régua indicou um máximo de 4 metros, com média de 2,65 metros e mínima de 1,70 metro no mesmo período. Contrastando com essas elevações, a porção sul do Pantanal apresenta um cenário distinto.

Em Ladário, cidade próxima a Corumbá, onde fica uma das principais réguas históricas do Rio Paraguai, o nível máximo em 2026 atingiu apenas 1,22 metro, com média de 0,90 metro e mínima de 0,72 metro. Esta marca está bem abaixo dos 3,31 metros verificados em 2025, quando o rio superou os 3 metros.

Outras estações do baixo Paraguai também mostram níveis aquém do esperado. Em Forte Coimbra, a média foi de -0,30 metro, com pico de 0,04 metro. Já em Porto Murtinho, o rio chegou a 2,39 metros em 2026, uma média de 2,03 metros, contrastando significativamente com os 5,72 metros de 2025, ano em que a cheia foi bem mais intensa na região.

Os dados do monitoramento hidrológico sinalizam que, embora o ciclo de chuvas tenha gerado uma elevação considerável do rio nas cabeceiras, o comportamento das réguas na parte baixa do Paraguai ainda não reflete de maneira completa esse volume de água.

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