Nanotecnologia é usada para ampliar efeito de quimioterápicos em estudo no MS
Testes experimentais realizados por pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul mostraram que nanopartículas desenvolvidas para transportar quimioterápicos conseguiram inibir o crescimento tumoral em até 99,6% e reduzir o peso dos tumores em mais de 90%.
A tecnologia consiste em estruturas em escala nanométrica produzidas a partir de sílica que funcionam como veículos dos medicamentos, permitindo que o fármaco circule pelo organismo e atinja preferencialmente as células doentes, mantendo o efeito terapêutico com quantidades menores da substância.
Os ensaios em laboratório também apontaram alta seletividade das nanopartículas, com ação muito mais eficaz sobre células cancerígenas do que sobre células saudáveis, o que indica potencial para diminuir efeitos colaterais associados à quimioterapia convencional.
O professor da UFMS, Marcos Utrera Martines, responsável pela pesquisa, contextualizou a estratégia adotada no projeto. “O planejamento do tamanho e da morfologia da matriz carreadora, assim como a adição dos fármacos, foi bem-sucedido, mantendo a atividade anticâncer dos medicamentos e reduzindo as concentrações necessárias”
Como mecanismo de direcionamento, os pesquisadores incorporaram ácido fólico às partículas com o objetivo de explorar a maior quantidade de receptores de folato presente em muitas células tumorais. “O ácido fólico é usado como direcionador de fármacos porque diversas células cancerígenas superexpressam receptores de folato na sua superfície”
Nas etapas experimentais que avaliaram crescimento e massa tumoral, as formulações contendo citarabina e doxorrubicina foram as que apresentaram melhores resultados, alcançando os índices máximos de inibição e redução de peso tumoral relatados pelos autores.
O projeto recebeu recursos da Chamada Especial Fundect/UFMS 23/2022 destinada à atração de recém-doutores para Mato Grosso do Sul e também foi financiado pelo Programa Pesquisa para o SUS PPSUS, iniciativa que apoia pesquisa aplicada à saúde pública em parceria com o Ministério da Saúde, conforme informações da instituição.
Quanto ao impacto regional e à continuidade das ações, Cristiano Carvalho, diretor-presidente da Fundect, avaliou o papel do apoio institucional. “Ao apoiar projetos como este, a Fundect fortalece a pesquisa científica em Mato Grosso do Sul, estimula a formação de pesquisadores qualificados atraindo mais doutores para nosso Estado e contribui para o desenvolvimento de tecnologias com potencial de aplicação futura no Sistema Único de Saúde”
O trabalho já gerou pedidos de patentes e apresenta possibilidade de transferência tecnológica tanto para o setor produtivo quanto para o Sistema Único de Saúde, mediante parcerias para desenvolvimento produtivo ou criação de empresas de base tecnológica, conforme os pesquisadores.
A equipe espera que a continuidade dos estudos viabilize tratamentos mais eficientes e com menor impacto ao organismo, ampliando o acesso a alternativas terapêuticas, e a Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul passa a divulgar este e outros projetos na série de reportagens Fundect: MS ama Ciência.

