Fórmula 1: a categoria mudou, e o sucesso comercial comprova que isso está tudo bem
Fórmula 1 se reinventa e colhe frutos comerciais, mesmo com críticas históricas
A Fórmula 1 de hoje, com suas complexidades técnicas e foco na sustentabilidade, difere bastante da categoria de anos atrás. No entanto, essa evolução, marcada por mudanças regulatórias e tecnológicas, parece ter encontrado um caminho de sucesso comercial, com equipes menores alcançando valorizações bilionárias.
Comparações com 2014 trazem à tona críticas semelhantes. Naquele ano, Sebastian Vettel, então dominante, lamentou a simplicidade dos carros e o som dos novos motores. “É uma merda, eu estava no pitwall durante o teste e fazia menos barulho que um bar”, criticou o alemão. As queixas sobre o ruído persistiram por anos. Atualmente, com a retirada do MGU-H, o barulho aumentou, mas outros aspectos negativos surgiram, levando muitos no paddock a preferirem até mesmo a tecnologia anterior, com o gerador que captava calor do turbo.
A sensação de que a dirigibilidade ficou mais complexa também é um ponto recorrente. Pilotos que antes consideravam os carros mais fáceis de largar e pilotar, hoje relatam dificuldades com os sistemas atuais. Em 2014, Jenson Button aconselhava quem não estivesse feliz a “correr de outra coisa”. Essa postura encontra eco atualmente em pilotos como Lando Norris, demonstrando uma linha de pensamento similar diante das mudanças.
A gestão da categoria também passou por transformações. Em 2014, Bernie Ecclestone classificou a F1 como “uma farsa”, culpando a FIA pelas regras que poderiam afastar o público. Atualmente, sob a liderança de Stefano Domenicali, a estratégia é outra. O foco está no produto, que tem se mostrado extremamente vendável. O crescimento do lucro operacional da Liberty Media, com um aumento de 249% no segundo trimestre de 2025 comparado a 2024, e receitas totais superando os 3 bilhões de dólares no ano passado, são provas irrefutáveis desse sucesso comercial.
A adoção da eletrificação em 2014 foi motivada pela necessidade da indústria automobilística de obter retorno financeiro, indo além do marketing puro. Essa pressão também influenciou o atual regulamento técnico. Embora a F1 reconheça os desafios de implementar essas novas regras, a categoria se apoia em sua capacidade de reunir grandes mentes para encontrar soluções de engenharia, mesmo para missões consideradas difíceis.
Os pilotos ainda expressam desconforto com a exigência de focar na geração de energia, a ponto de algumas equipes evitarem o contato deles com simuladores durante o refinamento dos sistemas. A evolução do cenário tecnológico é constante; o que era considerado um problema há seis meses pode ser diferente em igual período futuro. Enquanto em 2014 se projetava um futuro totalmente elétrico, hoje há um ceticismo maior, refletido na inclusão de combustíveis sustentáveis no regulamento atual.
Uma proposta recente da FIA para motores V8 aspirados com combustível sustentável para 2030 foi rejeitada pelas montadoras, que ainda não estão prontas para abandonar completamente os sistemas híbridos. A dependência da Fórmula 1 em relação a essas montadoras é um fator crucial para sua continuidade.

