Polícia descarta feminicídio e reclassifica morte como suicídio em Selvíria
A Polícia Civil concluiu que a morte de Janele Feles Valoes, registrada em Selvíria, foi suicídio e não feminicídio. A reclassificação foi divulgada nesta sexta-feira 13, após análise de laudos periciais e novos depoimentos colhidos ao longo da investigação.
O caso havia levado à prisão do marido da vítima, Alípio Drum Alves, de 63 anos, inicialmente autuado em flagrante e depois mantido em prisão preventiva. Com a conclusão dos trabalhos, a Polícia Civil retirou a qualificadora de feminicídio e encerrou as diligências.
De acordo com a investigação, o laudo necroscópico e o depoimento da médica legista indicaram que a faca foi empurrada contra o próprio peito da vítima. A lâmina não estava totalmente cravada, característica compatível com autoferimento, e a angulação da lesão reforçou a hipótese de suicídio. Segundo a Polícia Civil, esse padrão difere de casos de homicídio ou feminicídio, nos quais a faca costuma penetrar completamente o corpo.
O filho de Janele confirmou em depoimento que a mãe enfrentava um câncer e já havia manifestado intenção de tirar a própria vida. A polícia também informou que não foram encontrados registros anteriores de violência doméstica envolvendo o casal.

A morte ocorreu na noite de domingo, por volta das 20h40. O filho procurou ajuda em uma base da concessionária Way, na MS-112, levando a mãe no carro, já sem vida, com uma faca cravada no peito. Aos policiais, ele contou que recebeu uma ligação do pai dizendo que a esposa havia feito uma “besteira”.
Prisão e mudança no rumo do caso
Quando a polícia chegou ao local, encontrou a vítima sentada em uma cadeira, com a faca no peito. O marido foi localizado horas depois, levado à delegacia de Três Lagoas e autuado em flagrante. Em depoimento, ele afirmou que a esposa estava descontrolada e se feriu sozinha.
Mesmo negando o crime, Alípio teve a prisão convertida em preventiva durante audiência de custódia. A defesa pediu liberdade provisória, citando a ausência de histórico de violência e a negativa de autoria. Com a reclassificação do caso, a expectativa é de soltura do idoso.
Com o encerramento da apuração, Mato Grosso do Sul passa a contabilizar dois feminicídios registrados em 2026.
Procure ajuda
Pessoas em sofrimento emocional podem buscar apoio gratuito. Em Campo Grande, o Grupo Amor Vida atende pelo telefone 0800 750 5554. O CVV funciona pelos números 188 e 141. Em emergências, acione 190 ou 193.
