Tele-ECG registra quase mil alertas em MS e acelera prevenção de infartos
O serviço de Telediagnóstico em Eletrocardiograma (Tele-ECG) tem se consolidado como uma ferramenta essencial na rede pública de Mato Grosso do Sul, ampliando a rapidez no diagnóstico de alterações cardíacas. A agilidade do sistema é crucial no combate às doenças cardiovasculares, que são a principal causa de mortalidade no Brasil.
Entre janeiro e dezembro de 2025, o serviço registrou 965 alertas que exigiram resposta imediata das equipes de saúde. Desse total, 878 foram classificados como clínicos e 43 como técnicos. Entre os achados mais críticos, que demandam intervenção rápida para evitar agravamentos e reduzir o risco de morte, estavam a fibrilação atrial com alta resposta ventricular e casos de suspeita de infarto agudo do miocárdio.
Em todas as ocorrências classificadas como urgentes, o Núcleo Telessaúde MS trabalhou de forma integrada com a oferta nacional do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC_UFMG). Essa cooperação assegurou o contato direto com os municípios, oferecendo orientações detalhadas de conduta e garantindo o encaminhamento oportuno dentro da rede assistencial do estado.
Márcia Tomasi, superintendente de Saúde Digital da Secretaria de Estado de Saúde (SES), avalia que o Tele-ECG representa um salto na organização da rede de atenção. “O Tele-ECG leva o apoio especializado até o local onde o paciente está, encurtando o tempo entre o exame, o diagnóstico e a decisão clínica, especialmente em situações de emergência”.
O fator tempo no diagnóstico de emergências
No enfrentamento de alterações cardíacas, o tempo é um fator decisivo. O Tele-eletrocardiograma permite que o exame seja realizado na unidade de saúde do próprio município e, em seguida, transmitido pela internet para ser analisado por cardiologistas especializados. Os laudos são emitidos 24 horas por dia, sete dias por semana. Em quadros como arritmias graves, suspeita de infarto ou crises hipertensivas, o resultado é liberado em poucos minutos, permitindo que a conduta clínica seja orientada já no primeiro atendimento.
Essa celeridade reduz atrasos no diagnóstico, evita a progressão de quadros clínicos e contribui para a diminuição de complicações e internações prolongadas. A tecnologia tem ampliado seu alcance no interior de Mato Grosso do Sul. Somente ao longo de 2025, o Tele-ECG implantou 19 novos pontos de atendimento em seis municípios: Nioaque, Jaraguari, São Gabriel do Oeste, Dois Irmãos do Buriti, Eldorado e Rio Verde de Mato Grosso.
Essa expansão reforça o acesso ao diagnóstico cardiológico em regiões mais afastadas dos grandes centros, atuando diretamente na redução das desigualdades no atendimento. Desde que o serviço foi lançado, em novembro de 2021, 60 municípios foram atendidos, contabilizando 132 pontos de telediagnóstico e um total de 178.757 exames realizados em todo o estado.
Saúde digital fortalece resolutividade e reduz deslocamentos
O uso da saúde digital, conforme a SES, integra a estratégia de modernização da rede pública e de enfrentamento das doenças cardiovasculares. Além de acelerar o diagnóstico, o sistema de Tele-ECG contribui para otimizar a logística da saúde pública. A ferramenta fortalece a resolutividade da Atenção Primária, pois contribui para reduzir deslocamentos desnecessários de pacientes, diminui filas de espera e corta custos com transporte para centros de referência.
Essa abordagem digital também amplia a autonomia dos municípios e melhora a integração entre os diversos níveis de atenção à saúde.
Para Rosângela Dobbro, coordenadora de Telessaúde da SES, o Tele-ECG é um modelo de como a tecnologia pode integrar a rede e fortalecer o cuidado. “A saúde digital permite conectar profissionais, qualificar o atendimento e levar serviços especializados a regiões onde eles não estariam disponíveis de forma presencial. O Tele-ECG mostra como a tecnologia, quando bem estruturada, salva tempo, recursos e vidas”.
A Secretaria de Estado de Saúde destaca que a ampliação contínua da Telessaúde é crucial no combate às doenças cardiovasculares, que persistem como a principal causa de mortalidade no Brasil.

