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Mato Grosso do Sul lidera potenciais benefícios do acordo UE-Mercosul

Mato Grosso do Sul lidera as principais projeções divulgadas até aqui sobre o crescimento do PIB em 2025
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Estado se posiciona entre as principais polos e projeta crescimento significativo com o novo cenário comercial

Mato Grosso do Sul desponta como um dos estados com maior potencial de ganhos a partir do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, recém-firmado após mais de duas décadas de negociação. Apesar de sua participação nas exportações totais para a UE ser menor que a média nacional, o perfil agroindustrial do estado o coloca em posição de destaque, conforme um relatório do Futura Inteligência, divulgado pelo Valor Econômico.

O território sul-mato-grossense integra o grupo das chamadas “onças brasileiras”, denominação dada a unidades federativas que demonstram crescimento econômico superior à média do país, além de um elevado Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), eficiência governamental e maior estabilidade institucional. Estados como Mato Grosso, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Goiás, e, em menor grau, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, também fazem parte deste grupo. 

Para a União Europeia, as “onças” direcionaram 12,9% de suas exportações em 2025, um percentual ligeiramente abaixo dos 14,3% do Brasil. Mesmo assim, a expectativa é de um impacto econômico mais significativo, impulsionado pela forte presença de commodities e produtos da agroindústria, que representam 67,4% de suas exportações para o bloco europeu, frente a 23,8% dos demais estados.

Produtos agrícolas essenciais, como café não torrado, farelos de soja e tabaco, atualmente sujeitos a tarifas no mercado europeu, terão essas barreiras reduzidas ou eliminadas com a entrada em vigor do acordo. Isso pode impulsionar ainda mais a competitividade desses itens.

Perspectivas de avanço para o agronegócio e o PIB nacional

Um estudo do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) reforça a projeção de ganhos substanciais para a região Centro-Oeste, onde Mato Grosso do Sul está inserido, principalmente nas cadeias produtivas de carne e soja. 

O Sul do Brasil também deverá colher benefícios, com foco em carnes, fumo e alimentos processados. Flávio Ataliba, pesquisador do FGV Ibre, observa que o Centro-Oeste já cumpre grande parte dos critérios sanitários e fitossanitários exigidos pela União Europeia, restando como principal desafio a adequação às exigências ambientais e de rastreabilidade.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que o acordo tem potencial para elevar o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 0,46% até 2040. Este crescimento é superior às projeções para a própria União Europeia (0,1%) e para os demais países do Mercosul sem o Brasil (0,2%). Contudo, o acordo ainda enfrenta resistências no Parlamento Europeu, sobretudo de nações como França e Polônia. No Brasil, o texto já foi enviado ao Congresso pelo presidente Lula, e o presidente da Câmara, Hugo Motta, sinalizou a intenção de votar a proposta logo após o Carnaval.

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