Alckmin diz que acordo com UE deve entrar em vigor ainda em 2026
A assinatura entre Mercosul e União Europeia deve ocorrer nos próximos dias, e o governo federal trabalha para que o pacto passe a vigorar ainda em 2026 após a etapa de internalização nos parlamentos dos países envolvidos. “Se o Congresso Brasileiro votar no primeiro semestre, nós não dependemos da Argentina, Paraguai e Uruguai, para já entrar em vigência”. A declaração foi feita em entrevista à imprensa nesta sexta-feira pelo vice-presidente, que explicou que a internalização exige aval do Parlamento Europeu e dos Congressos dos quatro membros do Mercosul.
Emprego e investimentos
O vice-presidente destacou o potencial do acordo para atrair recursos e estimular o mercado de trabalho, relacionando o avanço do tratado com fluxo maior de capitais entre os blocos. “Nós deveremos ter mais investimentos europeus na região do Mercosul e no Brasil, e mais investimentos brasileiros nos 27 países da Europa”. A avaliação foi apresentada como parte do conjunto de benefícios econômicos esperados pelo governo.
Sustentabilidade e regras de comércio
Alckmin destacou que o pacto traria comércio com regras claras e um reforço a compromissos ambientais, posicionando o tratado como instrumento de multilateralismo em um cenário internacional conturbado. “É um ganha-ganha. Quem for mais competitivo vende”. Em seguida o vice-presidente acrescentou que o acordo assume papel político diante do momento geopolítico difícil, e afirmou que “(O acordo) mostra que é possível construir caminho de comércio com regras, de abertura comercial e de fortalecimento não do isolacionismo, mas do multilateralismo”.
A União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China, e no ano passado a corrente comercial entre os dois blocos somou cerca de US$ 100 bilhões, conforme informação apresentada pelo vice-presidente. Somente a indústria de transformação brasileira exportou US$ 23,6 bilhões para a União Europeia, com crescimento de 5,4% do setor nas vendas ao continente, ante alta de 3,8% nas exportações brasileiras para o resto do mundo. Alckmin também ressaltou que a UE foi o primeiro ou o segundo destino das exportações de 22 estados brasileiros no ano passado, que 30% dos exportadores nacionais vendem para aquele mercado, o que reúne mais de nove mil empresas, e que essas empresas empregam mais de três milhões de trabalhadores.
A aprovação do acordo pelo Conselho da União Europeia foi confirmada pela presidente da Comissão Europeia por ampla maioria dos países, e foi qualificada por ela como marco histórico. “A decisão do Conselho de apoiar o acordo UE-Mercosul é histórica”. Em postagem no microblog X, Ursula von der Leyen também afirmou que “Estamos empenhados em criar crescimento, empregos e em garantir os interesses dos consumidores e das empresas europeias”.

