Lula pede a Trump inclusão da Palestina e foco do Conselho da Paz
O presidente Lula conversou por telefone na manhã de segunda-feira, 26, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sugeriu a inclusão de um assento para a Palestina no colegiado criado e presidido pelo norte-americano, além de propor que o grupo se restrinja a discutir questões relativas à Faixa de Gaza, conforme divulgado pelo Palácio do Planalto.
O Planalto informou que a ligação teve duração de 50 minutos e que, durante a conversa, Lula voltou a defender uma reforma abrangente da Organização das Nações Unidas, com ampliação do número de membros permanentes do Conselho de Segurança.
O presidente brasileiro foi convidado a ocupar um assento no Conselho da Paz, mas ainda não respondeu ao convite. Na semana passada, em evento em Salvador, ele criticou a proposta. Para o presidente brasileiro, “Trump quer criar uma nova ONU para ser o dono”.
Os dois trataram também de temas relacionados à Venezuela e ao combate ao crime organizado. “Lula manifestou interesse em estreitar a parceria na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, bem como no congelamento de ativos de grupos criminosos e no intercâmbio de dados sobre transações financeiras. A proposta foi bem recebida pelo presidente norte-americano”, informou o Palácio do Planalto.
As questões econômicas fizeram parte da agenda. “O presidente Trump afirmou que o crescimento econômico dos Estados Unidos e do Brasil é positivo para a região como um todo. Ambos saudaram o bom relacionamento construído nos últimos meses, que resultou no levantamento de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros”, destacou a nota oficial.
Encontros e desdobramentos
Os presidentes se conheceram pessoalmente pela primeira vez na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, em setembro, e voltaram a se reunir em outubro, na 47ª Cúpula da Asean, na Malásia. O chanceler Mauro Vieira qualificou esse último encontro como “muito positiva”. “Química excelente” foi a expressão usada pelo norte-americano para qualificar o relacionamento com Lula.
No mês seguinte ao encontro na Malásia, os Estados Unidos retiraram a sobretaxa de 40% sobre vários produtos brasileiros, movimento citado na conversa como reflexo do estreitamento das relações bilaterais.
Próximos passos
Ao final do diálogo ficou combinada uma visita de Lula aos Estados Unidos, sem data definida, que deve ocorrer depois das viagens do presidente brasileiro à Índia e à Coreia do Sul, previstas para fevereiro, segundo o Palácio do Planalto.

