Lula diz que aceitará indicação de embaixador dos EUA apenas após eleições

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Durante entrevista aos podcasts Não Inviabilize e As Cunhãs, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou que a concessão do agrément ao nome indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, só ocorrerá após as eleições de outubro.

Em sua exposição sobre a relação com a diplomacia norte-americana, ele criticou ações que considerou intervenções em assuntos internos do Brasil e mencionou restrições de vistos a equipes que pretendiam observar o processo eleitoral. “Ouvi dizer que eles [EUA] queriam mandar duas pessoas para vir para cá para estudar as urnas, e nós não demos o visto. Agora, querem que eu apressadamente aceite o embaixador deles. Mas, agora, só [vamos aceitar] depois das eleições”. O presidente reiterou que a decisão é vinculada ao calendário eleitoral.

Ao avaliar o timing da indicação do representante dos EUA, Lula questionou a demora na nomeação e o momento escolhido pela Casa Branca, apontando contradição entre a importância do cargo e o intervalo sem titular na embaixada. “Se o embaixador dos EUA é importante para o Brasil, por que eles ficaram um ano e seis meses sem mandar embaixador para cá? E por que só agora, faltando 45 dias para as eleições, eles querem mandar?”. A crítica incluiu tanto o intervalo quanto a proximidade do pleito.

Apesar das reclamações sobre interferência e cronograma, o presidente afirmou que o Brasil não deseja conflito com os Estados Unidos e que pretende tratar as diferenças de forma responsável. “Não precisamos brigar. Não quero guerra. Quero discutir [as questões] com seriedade. O Brasil quer ter uma boa relação com os Estados Unidos”. Lula destacou a intenção de manter diálogo diplomático.

Ao comentar a postura da administração norte-americana, Lula afirmou que as recentes medidas contra o Brasil não partiram diretamente do presidente norte-americano e mencionou integrantes da equipe de Washington como responsáveis pelas tensões, citando o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. “Acho que não é ele quem não gosta do Brasil”. A referência buscou distinguir o ocupante da Casa Branca da atuação de assessores e ministros, segundo o relato do mandatário.

Sobre questões comerciais e tarifas, o presidente afirmou que o Brasil tem reagido oficialmente às medidas que considera injustificadas e que buscou instrumentos legais para responder. “lamentavelmente eles estão construindo inverdades contra o Brasil”. Na sequência, ele informou que o governo protocolou medidas em resposta às tarifas.

Em relação às iniciativas adotadas pelo Executivo brasileiro, Lula ressaltou a implantação de um mecanismo legislativo para resposta às ações externas e comentou o objetivo de afirmar a soberania e o respeito mútuo. “Ontem [quinta-feira, 13] entramos com a Lei de Reciprocidade para mostrar que a gente não é pouca coisa, e que nós nos respeitamos”. O presidente caracterizou a iniciativa como demonstração de firmeza institucional.

Ao encerrar as avaliações sobre o tema, Lula apontou estar preparado para defender os interesses do Brasil em qualquer foro internacional e disse manter tranquilidade sobre as consequências possíveis. “Estou muito tranquilo, sabendo o que pode acontecer, e preparado para debater a defesa do Brasil em qualquer lugar do planeta Terra”. A declaração finalizou a série de críticas e posicionamentos relatados durante a entrevista.

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