Senado destitui Santiago Peña e ex-presidente é preso após crise do Ueno Bank

O Senado do Paraguai destituiu Santiago Peña da Presidência por unanimidade, com 44 votos, na sexta-feira (6), e o Ministério Público determinou a prisão do ex-presidente em investigação sobre suspeitas de irregularidades ligadas ao colapso do Ueno Bank.

A decisão abriu caminho para a posse do então vice-presidente Pedro Alliana, que assumiu o comando do país para concluir o mandato previsto até agosto de 2028. Peña havia anunciado renúncia na quinta-feira (5), mas o Congresso não aceitou o pedido e manteve o processo de impeachment. A Câmara dos Deputados já havia aprovado o prosseguimento do julgamento por 78 votos.

A ordem de detenção foi emitida pela equipe fiscal responsável pela investigação do banco. A determinação inicial estabeleceu que Peña permanecesse em prisão domiciliar até ser apresentado ao Ministério Público. Depois de manifestações e tumultos nas proximidades de sua residência, ele foi transferido pouco antes da meia-noite para o Regimento de Escolta Presidencial, por razões de segurança.

O caso envolve suspeitas de conflitos de interesses e irregularidades na destinação de recursos públicos ao Ueno Bank. A instituição, que atendia milhões de clientes, sofreu intervenção do Banco Central paraguaio após a deterioração de sua situação financeira, provocando dificuldades de acesso ao dinheiro e uma crise que atingiu correntistas e órgãos públicos.

Peña manteve participação no grupo controlador do banco até abril de 2025. Em declaração patrimonial apresentada em 2023, informou possuir ações da Ueno Holding avaliadas em 6,144 bilhões de guaranis, equivalentes a aproximadamente R$ 5,28 milhões. Também declarou um certificado de depósito de 2,4 bilhões de guaranis na instituição.

Entre os órgãos públicos que mantinham recursos no banco estavam o Instituto de Previdência Social, o Ministério da Economia e as entidades binacionais Itaipu e Yacyretá. As acusações do processo de impeachment apontam possíveis conflitos de interesses, interferência na fiscalização bancária e uso irregular de recursos públicos. Peña nega ter cometido crimes.

A investigação criminal foi aberta para apurar suspeita de lesão de confiança e outros fatos puníveis. O Ministério Público também determinou a detenção de Carlos Carvallo, ex-presidente do Banco Central do Paraguai, no mesmo procedimento.

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