Crianças de MS podem ser enviadas ao Paraná após paralisação de cirurgias cardíacas

Santa Casa de Campo Grande
Foto: Capital News

Mato Grosso do Sul pediu apoio ao Paraná para atender crianças que precisam de cirurgias cardíacas após a suspensão dos procedimentos na Santa Casa de Campo Grande. A solicitação indica o Hospital Infantil Pequeno Príncipe, em Curitiba, como alternativa temporária para receber pacientes do Estado.

Encaminhado em 4 de setembro à Secretaria de Saúde do Paraná, o pedido antecedeu a suspensão formal das cirurgias cardíacas pediátricas na Santa Casa, registrada em 11 de setembro. Em resposta enviada ao Ministério Público no fim daquele mês, a Secretaria de Estado de Saúde informou que a medida ainda não havia resultado em convênio ou contrato com o hospital paranaense.

Documentos reunidos pela 32ª Promotoria de Justiça de Campo Grande mostram 40 pacientes vinculados ao serviço de cardiopediatria. Essa relação, porém, reúne crianças em diferentes situações de acompanhamento e não permite concluir que todas estejam atualmente aguardando cirurgia.

No início de setembro, a própria Santa Casa informou que quatro crianças aguardavam procedimento cirúrgico. Mesmo antes da paralisação completa, as cirurgias eletivas já enfrentavam restrições e, conforme a documentação analisada pelo Ministério Público, havia pelo menos um ano que o serviço vinha atendendo apenas casos de urgência.

Equipe especializada deixou o serviço

Profissionais responsáveis pelas cirurgias solicitaram rescisão contratual em 31 de julho e tiveram o desligamento efetivado em 31 de agosto. Em nota divulgada naquele período, a Santa Casa afirmou que um dos dois cirurgiões cardíacos pediátricos estava afastado por problema grave de saúde e a outra profissional havia pedido desligamento.

“A assistência pediátrica permanece ativa”, informou o hospital ao anunciar a suspensão das cirurgias cardíacas congênitas eletivas. Segundo a instituição, crianças continuariam recebendo acompanhamento, exames e demais atendimentos disponíveis enquanto uma nova equipe especializada não fosse formada.

Além da falta de cirurgiões, documentos levados ao Ministério Público apontam dificuldades no fornecimento de materiais, insumos e próteses, disponibilidade de leitos de UTI pediátrica e questões financeiras envolvendo pagamentos e reajustes contratuais.

Na mesma nota de setembro, a Santa Casa declarou que permanecia em desequilíbrio econômico-financeiro e relacionou a situação à manutenção de equipes, medicamentos, materiais e insumos. Naquele momento, a instituição também afirmou ainda não ter recebido um aporte de R$ 4 milhões anunciado publicamente.

Diante da interrupção das cirurgias, a estratégia apresentada pela Secretaria de Estado de Saúde prevê atendimento clínico e estabilização das crianças em Mato Grosso do Sul, com transferência regulada para hospitais habilitados quando houver indicação médica.

Em resposta ao Ministério Público, a SES informou ainda ter comunicado oficialmente a Prefeitura de Campo Grande sobre a necessidade de viabilizar uma nova equipe de cirurgia cardíaca pediátrica, inclusive por meio de prestadores privados. Segundo a pasta estadual, o credenciamento desses profissionais depende do Município.

A crise da Santa Casa já vinha sendo acompanhada pelo Ministério Público antes da paralisação da cardiopediatria. Em setembro, a Justiça determinou mudanças na administração do hospital e nomeou gestão provisória durante as apurações sobre a situação financeira e operacional da instituição.

Na área específica de cardiopediatria, problemas de capacidade também haviam aparecido antes da crise atual. Em 2024, vistoria do Ministério Público identificou superlotação da UTI especializada em diferentes meses e uma lista de espera que, naquele período, chegava a 80 pacientes de todo Mato Grosso do Sul.

Enquanto uma nova equipe não é credenciada em Campo Grande, o pedido ao Paraná permanece como alternativa para manter acesso aos procedimentos de alta complexidade. O atendimento fora do Estado depende da regulação de cada paciente e da disponibilidade de unidades habilitadas.

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