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Contrato investigado na Santa Casa aparece como 100% cumprido em portal de transparência

Fachada da Santa Casa de Campo Grande com elementos que sugerem investigação.
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Registro de contrato investigado diverge de informações da operação Antidotum

O contrato firmado entre a Santa Casa de Campo Grande e a Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços, alvo da Operação Antidotum, consta como 100% cumprido na área pública de transparência do hospital. O documento assinado eletronicamente em 30 de abril de 2025, com encerramento em 29 de outubro do mesmo ano, não está disponível para consulta online, diferente de outros acordos listados no portal da entidade.

A informação tem ganhado destaque porque o contrato, avaliado em cinco milhões e quatrocentos mil reais para três anos de serviços, enfrenta acusações de fraude e desvio financeiro desde o primeiro ano de vigência, segundo apuração do Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc) e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco).

Suspeitas e impacto financeiro atingem direção do hospital

A investigação identificou que apenas nos primeiros 12 meses, houve desvio de um milhão e quatrocentos mil reais, além de constatações de pagamentos para empresas formalmente registradas no mesmo endereço, mas em imóvel desocupado e pertencentes ao mesmo grupo econômico, cujos proprietários mantinham ligações com a diretoria da Santa Casa. No decorrer de 2025, a operadora do hospital teria transferido cerca de nove milhões e seiscentos mil reais para essas empresas, provocando prejuízo mínimo de três milhões e meio de reais conforme dados revelados até o momento pela investigação.

O acordo previa contratação para serviços especializados de digitalização e preparação de documentos, com integração aos sistemas internos, mas após a menção desse objetivo no site, não foi publicada qualquer informação adicional ou detalhamento dos valores efetivamente pagos.

A Operação Antidotum cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia, enquanto os órgãos de controle relatam que diversos contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente omitidos do Conselho Fiscal e da Controladoria-Geral do Estado. Seis pessoas foram presas e os envolvidos não serão formalmente afastados do hospital até decisão final do processo, mas os contratos dos investigados permanecem suspensos.

Durante reunião extraordinária do conselho, o diretor de negócios e relações institucionais João Carlos Marchezan destacou: “até onde eu sei, eles vinham trabalhando, vinha sendo prestado esse serviço”. Já o advogado do hospital, Robert Franco, afirmou não conhecer detalhes do objeto da investigação e explicou: “Pra você se defender, você precisa saber do quê. E tem que saber do que você está sendo acusado. Então o que a gente sabe de fato, até então, é o que saiu na imprensa.” Segundo os representantes, a diretoria já foi recomposta conforme estatuto, com posse do vice-presidente Heitor Miguel Scheibeler e diretores suplentes.

O caso permanece sob apuração, com pedidos oficiais para acesso aos autos e nenhum novo posicionamento sobre o contrato investigado publicado até o momento pelas áreas de transparência da Santa Casa.

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