Médicos britânicos identificam dermatose rara causada por notebook sobre o abdômen de menino
Síndrome da pele tostada se manifesta em padrão de rede e tem relação direta com dispositivos eletrônicos
Um caso clínico no Reino Unido levou especialistas a emitir novo alerta sobre riscos do uso prolongado de notebooks diretamente sobre a pele de crianças. Médicos identificaram a chamada síndrome da pele tostada em um menino de idade pré-escolar após ele apresentar lesões em padrão de rede no abdômen pela exposição diária, durante cerca de oito horas, ao calor do aparelho.
O Eritema Ab Igne, nome técnico da dermatose, tem se tornado mais frequente entre os jovens devido ao contato prolongado de dispositivos eletrônicos com a pele, cenário impulsionado pelo crescimento do ensino domiciliar e do uso de computadores fora da postura tradicional com mesas. No caso relatado, o paciente utilizava o notebook diretamente sobre o corpo, em especial quando o aparelho estava conectado à tomada, situação em que o aquecimento pode ser mais intenso. Como o calor não foi suficiente para provocar dor ou bolhas, a criança não percebeu o dano até o surgimento das marcas e da descamação.
Complicações podem ser graves e incluem riscos de câncer de pele
Inicialmente, suspeitou-se de lesão hepática, mas exames laboratoriais e de imagem descartaram problemas internos. O menino recebeu alta após estabilização, mas voltou ao hospital com agravamento do quadro e extensão das lesões, que já envolviam grande parte do abdômen. Só após revisão detalhada dos hábitos foi percebido que o uso contínuo do notebook em contato direto com a pele era o fator responsável.
Historicamente, a síndrome tinha prevalência maior entre pessoas idosas, sobretudo aquelas submetidas ao calor constante de lareiras, aquecedores ou bolsas térmicas por longos períodos. Com o avanço dos dispositivos eletrônicos portáteis, que podem alcançar temperaturas elevadas sem causar desconforto imediato, o perfil mudou e agora afeta um público mais jovem, segundo médicos da Sociedade de Dermatologia de Cuidados Primários da Inglaterra. Em geral, quadros leves podem regredir em algumas semanas, mas formas crônicas permitem que as manchas se tornem permanentes e, ao longo do tempo, aumentam a probabilidade de tipos agressivos de câncer de pele, como carcinoma de células escamosas e carcinoma de células de Merkel.
A publicação médica sobre o caso reforça que, mesmo podendo demorar décadas até o surgimento desses tumores, o monitoramento de lesões persistentes é indispensável. No acompanhamento do paciente, meses depois, os pais relataram desaparecimento gradual das marcas. Especialistas reforçam a necessidade de considerar a síndrome diante de lesões cutâneas em padrão reticulado, principalmente em crianças e adolescentes que utilizam aparelhos eletrônicos em contato direto com a pele. O reconhecimento dessa possibilidade contribui para evitar erros diagnósticos e exames desnecessários nos serviços de saúde.

