Defesa alega transtornos mentais e pede liberdade para mulher presa por maus-tratos a cão
Pedido de liberdade destaca estado de saúde mental e tratamento
O caso da influenciadora detida em Aquidauana, Mato Grosso do Sul, ganhou novo desdobramento nesta quinta-feira com a solicitação de liberdade provisória apresentada pela defesa. O pedido, protocolado junto à Justiça, argumenta que Gabriela faz acompanhamento psiquiátrico no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do município desde maio de 2025 e utiliza medicamentos controlados. Advogados anexaram aos autos laudos e receitas que atestam diagnóstico de transtorno de personalidade borderline e episódio depressivo grave ainda em avaliação.
Imagens divulgadas nas redes sociais levaram à prisão em flagrante após repercussão e denúncia por maus-tratos. No vídeo, Gabriela aparece ao lado da cadela da raça shih-tzu, joga o animal no chão e em seguida chuta a filhote enquanto faz menção à ação policial. Ao ser localizada pela Polícia Civil, ela confirmou ter gravado as imagens e relatou aos investigadores que estava “brincando” com o animal durante o registro. Posteriormente, publicou outros vídeos negando agressões e afirmou que nunca machucaria a cadela. “Ela está bem, dá uma olhadinha. […] Eu jamais vou maltratar o meu bichinho.” Em outro trecho afirma que a cadela teria passado por atendimento veterinário e estava saudável. “Eu apenas estava brincando com a minha cachorrinha. […] Não joguei a minha cachorra com força no chão do jeito que estão achando pelo vídeo. Nem tudo no vídeo é o que acontece.” Também pediu desculpas a quem, segundo ela, interpretou o conteúdo de forma negativa.
Quando policiais chegaram à residência na terça-feira, encontraram a filhote apática e assustadA, resultando no resgate imediato do animal. A Polícia Civil formalizou o pedido de conversão da prisão em flagrante para preventiva, alegando necessidade de garantir a integridade do bicho. Com o movimento da defesa, a Justiça analisa agora a possibilidade de liberdade provisória sem exigência de fiança. Os advogados sustentam que, além dos laudos médicos e da prescrição de medicamentos como Venlafaxina, Carbonato de Lítio e Amitriptilina, Gabriela possui endereço fixo, não registra antecedentes criminais e está afastada do animal, que atualmente permanece sob responsabilidade da Polícia Civil em lar temporário.
Defesa reforça quadro psiquiátrico e pede medidas alternativas
No documento encaminhado ao Judiciário, a equipe jurídica aponta que os registros médicos codificados como CID F63 e F60.9 seguem em investigação e argumenta que o quadro clínico impacta diretamente o discernimento de Gabriela. Em nota, a defesa pontuou que “o episódio registrado deve ser compreendido à luz desse delicado e comprovado quadro clínico de saúde mental, o qual afeta diretamente o discernimento e a estabilidade comportamental da paciente”. Propuseram, caso a Justiça opte por impor restrições, alternativas como comparecimento regular em juízo e proibição temporária de manter animais sob sua guarda.
O caso segue em análise após o envio do processo ao Ministério Público. A legislação prevê pena de dois a cinco anos de prisão além de multa e restrição à posse de animais em crimes de maus-tratos. Até o momento, não houve decisão judicial sobre a permanência de Gabriela em cárcere ou permissão para responder em liberdade enquanto prosseguem as apurações do poder público e do Judiciário.


