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Tribunal do Júri absolve mulher acusada de matar rival a facadas em Campo Grande

Sessão do Tribunal do Júri em Campo Grande mostra mulher emocionada durante julgamento por legítima defesa.
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Ré conquista absolvição após alegar legítima defesa em julgamento

Márcia Silva Evaristo, de 50 anos, foi inocentada nesta quinta-feira pelo Tribunal do Júri em Campo Grande após ser acusada de matar Gisele Leal da Silva Oliveira, uma mulher em situação de rua, no Bairro Guanandi, em agosto de 2024. O júri acatou a tese de legítima defesa apresentada pela defesa de Márcia, que negou a intenção de matar e afastou a versão policial inicial de crime motivado por ciúmes ligados ao namorado da ré.

No julgamento, a defesa de Márcia centrou seus argumentos no contexto do ocorrido. O advogado de defesa sustentou que ela agiu para se proteger durante uma briga em sua residência e contestou a hipótese policial de que o crime teria ligação com uma suposta traição. Relatos do namorado da acusada, ouvidos ainda na época dos fatos, apontaram que ele havia permitido à vítima entrar no imóvel para recolher latas para reciclagem, momento em que Márcia teria flagrado a presença dela, empunhado uma faca e pedido para que a mulher deixasse o local.

Versões divergentes marcam o processo

Conforme o depoimento inicial do namorado, Márcia estava tomada pelo ciúme e expulsou Gisele do quintal, momento em que desferiu golpes de faca no rosto da vítima enquanto ela se defendia com uma caixa de madeira. Durante a tentativa de apartar o conflito, o companheiro também sofreu ferimentos na mão. Em seguida, a acusada teria deixado o imóvel.

Já em plenário, Márcia optou por responder apenas às questões do advogado de defesa. Ela afirmou ter passado o dia ao lado do companheiro, com quem assistia a um jogo de futebol enquanto ele consumia bebidas alcoólicas. Por precisar trabalhar no dia seguinte, a ré pediu ao namorado que abaixasse o volume da televisão, o que teria provocado irritação e motivado a saída dele para buscar mais cerveja. Márcia relatou que havia decidido deixar a quitinete e seguir para a casa do filho, levando uma mochila com roupas sujas para lavar, com o objetivo de evitar discussões recorrentes.

Durante o depoimento, a acusada também negou que a faca estivesse em sua posse originalmente. Segundo sua versão, a arma branca estava na cintura de Gisele e caiu durante uma confusão após ela ser atingida por uma paulada. Quando questionada se teve consciência do ato, a ré foi enfática. “Em nenhum momento, doutor. Em nenhum momento”, declarou, reafirmando que não desejava a morte da rival.

Questionada sobre o período após o crime, Márcia relatou ter tido dificuldades para se reinserir no mercado de trabalho e destacou o impacto na família. No encerramento do depoimento, dirigiu-se à família da vítima. “Eu peço perdão. Porque não é da minha índole, não fui criada assim”, afirmou, ressaltando sua vergonha diante dos filhos, netos e pais pela situação no tribunal.

O Tribunal do Júri, diante das versões apresentadas, considerou a legítima defesa e absolveu Márcia Silva Evaristo da acusação de homicídio.

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