Pantanal capacita 40 profissionais do Brasil e da Bolívia para combater incêndios complexos
Evento inédito prepara equipes para temporada de fogo diante do risco de Super El Niño
Corumbá recebe entre quarta-feira e sexta-feira, no coração do Pantanal, um curso inédito que qualifica 40 profissionais do Brasil e da Bolívia para coordenar operações conjuntas durante incêndios de grande complexidade. A iniciativa, batizada de SCI-300, marca a primeira aplicação do nível avançado do Sistema de Comando de Incidentes no bioma, diante da preocupação com a aproximação do período seco e previsões de um possível Super El Niño entre 2026 e 2027.
O treinamento reúne representantes de diferentes órgãos envolvidos no combate e na prevenção ao fogo, numa rotina que, segundo os organizadores, tende a exigir cada vez mais integração entre equipes de distintas instituições. A capacitação acontece no Centro de Convenções de Corumbá, região historicamente afetada por incêndios florestais, e visa aprimorar a coordenação em situações emergenciais que ultrapassem a atuação de um único órgão.
Integração regional e preparação climática
A formação ocorre num momento de alerta para eventos climáticos extremos, conforme apontamentos do INPE e do INMET, que projetam efeitos mais acentuados do El Niño até o início de 2027. O cenário aumenta a preocupação com a temporada de incêndios e, por isso, mobiliza a antecipação de treinamentos e planejamento de resposta. A estratégia do SCI estabelece uma estrutura comum de comando para organizar comunicação, responsabilidades e decisões durante emergências, tornando possível alinhar os procedimentos de múltiplas instituições.
André Siqueira, diretor institucional da Ecoa, destaca a proposta central do curso. “O curso é focado na integração entre as instituições que trabalham com prevenção e resposta a incêndios, para melhorar a organização da resposta ao fogo no Pantanal.” Para participar do SCI-300, os inscritos precisaram ter concluído as etapas SCI-100 e SCI-200, ambas realizadas em 2024, consolidando a habilitação para assumir postos de comando quando situações fogem ao controle e envolvem diversas equipes.
O grupo boliviano, indicado pela Fundación para la Conservación del Bosque Chiquitano, participa em função do intercâmbio de experiências de manejo do fogo na região transfronteiriça — que inclui iniciativas do Pantanal brasileiro, Bosque Chiquitano, Mata Atlântica e Hileia Baiana.
A metodologia colocada em prática foi adotada pelo Prevfogo/Ibama e, recentemente, teve seus princípios formalizados na Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, sancionada em 2024. O conteúdo técnico é ministrado por especialistas do Prevfogo/Ibama e instrutores da Ambipar, empresa do setor de gestão ambiental, contando ainda com apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura e da Aktion Amazon.
Desde o início dos anos 2000, a Ecoa atua na formação de brigadas comunitárias voluntárias e agora investe em qualificar ainda mais o comando de operações em resposta a incêndios de grandes proporções. A proposta é reduzir riscos e ampliar a eficácia das ações, antecipando-se ao agravamento das condições climáticas que devem marcar os próximos anos.


