Dono de lanchonete registra boletim após receber ameaças ligadas à morte de jovem com meningite
Proprietário de lanchonete denuncia ameaças e recebe apoio policial após repercussão de caso em Campo Grande
Depois de ser alvo de ameaças de morte nas redes sociais e ter o nome associado à morte de David Kauã Vieira Santos Lopes, de 23 anos, o proprietário de uma lanchonete em Campo Grande decidiu procurar a polícia. Ele registrou boletim de ocorrência relatando que as mensagens se intensificaram depois que uma publicação envolveu o estabelecimento no falecimento do jovem, que ficou internado por 14 dias no Hospital Regional de Mato Grosso do Sul e morreu na última segunda-feira (31).
As mensagens recebidas vão desde ofensas até ameaças explícitas contra o empresário e a lanchonete. Em registros apresentados à polícia, um homem acusa: “Meu amigo que morreu comendo essa desgraça de lanche seu, seu maldito. Vou passar aí nessa desgraça mandando bala, filho de uma put… Cês vão morrer e ter o estabelecimento muito zuado.” Outro contato informou sobre planos de possível invasão ao local, dizendo: “Oi, boa noite. Preciso que você avise o tal do Ailton. Estão falando que vão invadir lá às 22h. Não diga que eu que falei.” O empresário ainda apresentou capturas de tela de publicações virtuais com frases como “aqui se faz, aqui se paga. Nada passa batido”.
Suspeitas da família e investigação médica
A morte de David Kauã acabou sendo registrada como decorrente de fato atípico pela família, que suspeita que um lanche adquirido no estabelecimento teria relação com o quadro de saúde do jovem. Os parentes relataram que ele passou mal após consumir o lanche e apontaram que outras pessoas já teriam tido problemas depois de comer no local. A sogra da vítima publicou essas suspeitas em redes sociais, segundo o empresário, que afirma conhecer a mulher apenas de vista e diz que David era cliente do ponto há cerca de oito anos.
Documentos médicos anexados ao boletim de ocorrência apontam que o jovem estava em tratamento para meningite causada por bactéria do grupo Streptococcus viridans. Os laudos registram que David não apresentou recuperação mesmo com uso de antimicrobianos. Detalhes do exame sugerem que as atenções se voltaram para o crânio, ouvido e coração durante a avaliação, buscando uma possível fístula cerebral espontânea para explicar a progressão da doença, apesar do tratamento. O resultado do exame necroscópico ainda é aguardado para a conclusão oficial sobre a causa do óbito.
O empresário nega qualquer relação entre os alimentos servidos e a morte de David. Ele alega ter seguido todas as práticas de higiene e segurança alimentar exigidas pelas normas do setor e relatou que o lanche foi consumido em uma sexta-feira, mesmo dia em que outros cerca de 80 clientes foram atendidos sem problemas relatados. Ele afirmou que não foi procurado pela família após o episódio e tomou conhecimento das acusações somente pela internet.
Diante do crescimento das ameaças, o proprietário desativou temporariamente o Instagram do negócio após receber orientação jurídica. Ele relatou ter sofrido boicote de clientes e afirmou já ter salvado todas as mensagens e publicações para apresentar à polícia. Ao registrar o boletim, explicou buscar responsabilização de quem espalhou informações que considera falsas e dos autores das ameaças dirigidas a ele e ao estabelecimento.

