Dívida de MS chega a 72% da receita e supera a de Mato Grosso e Goiás
Mato Grosso do Sul encerrou o terceiro bimestre de 2026 com a dívida consolidada equivalente a aproximadamente 72% da receita corrente líquida. O percentual supera os registrados por Mato Grosso, com 59%, e Goiás, com 56%, segundo dados do Tesouro Nacional.
O estoque da dívida sul-mato-grossense aumentou 13% em relação ao valor registrado em 31 de dezembro de 2025. A alta ocorre em um período no qual o Estado também enfrenta déficit primário e redução da margem disponível para investimentos.
Até junho, Mato Grosso do Sul acumulou déficit primário de R$ 460 milhões. A receita total cresceu 8% na comparação com o mesmo período do ano passado e chegou a R$ 13,67 bilhões. As despesas avançaram 14%, para R$ 12,94 bilhões.

A pressão sobre o caixa também aparece em outros indicadores. Os gastos com pessoal consumiram 60% da receita total, enquanto a poupança corrente ficou em apenas 6,4% da receita corrente líquida, o menor índice entre os estados.
O déficit previdenciário é outro fator de peso. O Fundo em Capitalização acumulou resultado negativo de R$ 869,37 milhões até o terceiro bimestre. No mesmo período de 2025, o déficit era de R$ 520 milhões.
A situação da dívida, porém, ganhou uma perspectiva diferente com a renegociação feita pelo Estado com a União. Mato Grosso do Sul aderiu ao Propag e renegociou uma dívida de R$ 7,8 bilhões.
Pelas novas condições, o Estado deixará de pagar aproximadamente R$ 3,2 bilhões ao governo federal ao longo dos próximos 30 anos. O valor corresponde a cerca de 41% do saldo renegociado.
O acordo reduz a pressão dos pagamentos futuros, mas ocorre em um momento no qual os demais indicadores fiscais mostram perda de folga. A receita cresce, mas as despesas avançam mais rapidamente. A previdência acumula um rombo maior e a dívida consolidada aumentou desde o fim de 2025.
Na comparação com os estados vizinhos, o indicador de 72% também coloca Mato Grosso do Sul em situação mais pressionada. Mato Grosso registra 59% e Goiás, 56%.
O conjunto dos números mostra que a dívida é apenas uma parte do problema fiscal enfrentado pelo Estado. O caixa também sofre com o avanço das despesas, o comprometimento elevado da receita com pessoal e a baixa capacidade de gerar sobra para novos investimentos.
Os dados fazem parte do RREO em Foco Estados + DF, elaborado pela Secretaria do Tesouro Nacional.
