Bolívia localiza aviões roubados em Aquidauana após cinco anos
Quase cinco anos depois do roubo de três aeronaves no Aeroporto Municipal de Aquidauana, autoridades bolivianas encontraram os equipamentos em um aeródromo interditado por suspeita de ligação com o tráfico de drogas. O achado ocorreu nesta quarta-feira (26), no hangar 13 do Aeródromo Mondaca, em Cotoca, no departamento de Santa Cruz. As aeronaves estavam sob controle das autoridades locais desde uma operação contra o narcotráfico em março de 2022.
Os três aviões foram levados por cerca de 18 homens armados na madrugada de 6 de setembro de 2021. O grupo invadiu o aeroporto e retirou as aeronaves quase simultaneamente, com a investigação apontando que a escolha levou em conta a capacidade de carga. Desde os primeiros dias, os investigadores já suspeitavam que os equipamentos tivessem seguido para a Bolívia, e no mesmo dia do crime a Força Aérea Brasileira (FAB) foi acionada diante da possibilidade de que os aviões tivessem cruzado a fronteira.
O Aeródromo Mondaca, também conhecido como La Cruceña, permanece interditado para operações aéreas civis e comerciais desde a operação que resultou na apreensão de dezenas de aeronaves e na prisão de 38 pessoas. Em janeiro de 2023, o Campo Grande News revelou que investigadores de Mato Grosso do Sul já tentavam examinar as aeronaves apreendidas no local. O Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) aguardava havia cerca de nove meses uma autorização da Bolívia para verificar se os três aviões roubados estavam entre as 66 recolhidas no aeródromo.
Entre as aeronaves localizadas está o Bonanza V35B, de matrícula PT-ING, que pertence ao ex-prefeito de Aquidauana Zelito Alves Ribeiro e a Joel Jacques. O Cessna 182 Skylane de matrícula PT-KDI é do pecuarista José Henrique Trindade. O terceiro avião, também um Cessna 182 Skylane, tem matrícula PT-DST e pertence ao cantor e compositor Almir Sater.
Os proprietários agora pedem que o governo boliviano autorize especialistas brasileiros a entrar no Aeródromo Mondaca para confirmar oficialmente a identificação das aeronaves e adotar as medidas necessárias para o retorno ao Brasil. Eles também querem esclarecimentos sobre como os aviões chegaram ao hangar e por quanto tempo permaneceram no complexo.
A localização representa o primeiro avanço concreto conhecido sobre o paradeiro das aeronaves desde o crime. Em outubro de 2023, a Justiça condenou quatro envolvidos no roubo e determinou o pagamento de R$ 2,5 milhões às vítimas, mas até então nenhum dos aviões havia sido recuperado. A recuperação dos bens ainda depende de procedimentos no território boliviano.

