Ao ser questionado sobre feminicídio, Zema diz no Jornal Nacional que tem programas contra as mulheres
Candidato à Presidência se explica após declaração infeliz durante sabatina
Uma resposta do candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) durante o Jornal Nacional gerou grande repercussão nas redes sociais na noite desta segunda-feira (24/8). Ao ser questionado sobre as medidas que pretende adotar para conter o avanço dos feminicídios no país, o ex-governador de Minas Gerais afirmou ter uma ‘série de programas contra as mulheres‘. A fala, que logo se espalhou pela internet, foi interpretada como uma gafe.
Internautas não pouparam críticas. ‘Zema comete gafe histórica ao vivo no Jornal Nacional e diz que tem uma série de programas CONTRA AS MULHERES’, escreveu um usuário no X. Outro perfil classificou o momento como ‘o maior mico’ do candidato no programa. A declaração, no entanto, foi esclarecida pelo próprio Zema na sequência, que disse se referir a ações de enfrentamento à violência doméstica.
Entre as propostas citadas por ele estão a expansão das delegacias especializadas no atendimento à mulher, a implementação de casas de acolhimento para vítimas e o monitoramento de agressores por meio de tornozeleiras eletrônicas. O candidato também defendeu a inclusão de discussões sobre violência doméstica no ambiente escolar, para que crianças aprendam a reconhecer situações de abuso desde cedo.
Dívida de Minas Gerais e privatizações
Durante a sabatina, Zema também foi questionado sobre o crescimento da dívida pública federal diante do cenário fiscal mineiro. O estado começou o ano com o pior saldo em caixa do país, com R$ 11,30 bilhões negativos, conforme dados do Tesouro Nacional. O candidato justificou que o passivo foi herdado de gestões anteriores e culpou os juros cobrados pelo governo federal.
No tema das privatizações, Zema afirmou ter vendido ou desestatizado participações em 118 empresas durante seus mandatos em Minas, incluindo a Light, a Eletrobras, a Companhia Brasileira de Lítio e a Copasa. A única exceção, segundo ele, foi a Cemig, que segue sob controle estatal. Ele defendeu a venda de estatais federais como Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, argumentando que as empresas públicas brasileiras estão subavaliadas por causa da má gestão.
Zema ainda voltou a defender a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Ele afirmou que houve ‘perseguição’ e pediu que os envolvidos sejam julgados por um tribunal imparcial. Sobre as condenações por tentativa de golpe de Estado, o candidato disse que a punição deve ser proporcional aos atos praticados, como depredação e vandalismo.
Em relação às urnas eletrônicas, Zema declarou confiar no sistema, mas defendeu a impressão do voto como mecanismo de auditoria. Ele criticou o Judiciário, afirmando que a corte estaria fazendo ‘mais política do que propriamente justiça’.

