Justiça decreta prisão preventiva de médico investigado por feminicídio da esposa em Campo Grande
Médico de 78 anos é preso suspeito de matar a esposa com tiro na cabeça, e laudo aponta sinais que contradizem versão de suicídio
O médico João Jazbik Neto, de 78 anos, foi preso em Campo Grande nesta sexta-feira (14) por decisão da 2ª Vara do Tribunal do Júri, que expediu mandado de prisão preventiva com base na Lei do Feminicídio. Ele é investigado pela morte da esposa, a fisioterapeuta Fabíola Marcotti, de 51 anos, encontrada sem vida em 18 de maio, na chácara onde o casal morava, no Jardim Veraneio. A prisão ocorre quase três meses depois do crime, que inicialmente foi tratado como morte suspeita, mas passou a ser investigado como feminicídio após a Polícia Civil identificar inconsistências na dinâmica do ocorrido.
O laudo necroscópico, divulgado em 28 de julho, não encontrou marcas de pólvora, fuligem ou queimaduras típicas de um disparo à curta distância ou com a arma encostada, o que enfraquece a tese de suicídio. A perícia confirmou que a causa da morte foi traumatismo cranioencefálico provocado por projétil de arma de fogo, mas não determinou quem efetuou o tiro. Além disso, foram identificados três hematomas no corpo de Fabíola, incluindo um de oito centímetros no peito, um na mão direita e outro na coxa direita. Para a família, esses ferimentos e a conclusão sobre a distância do disparo reforçam a necessidade de apuração.
Segundo o irmão da vítima, José Flávio Marcotti, Fabíola vivia sob controle e isolamento, não podia sair sozinha, havia deixado de trabalhar e dependia financeiramente do marido. As conversas entre eles passaram a ser principalmente por videochamadas, e ela interrompia os contatos quando percebia a chegada do médico. No fim do ano passado, ela chegou a chorar durante uma ligação e pedir ajuda para sair do relacionamento, e a família ofereceu uma casa no litoral de São Paulo para que ela recomeçasse a vida.
Durante as investigações, a Polícia Civil também apontou indícios de fraude processual, pois um armário com armas e munições teria sido retirado da casa principal após a morte de Fabíola e levado para outro imóvel. João Jazbik já havia sido preso por posse irregular de arma de fogo e fraude processual, mas conseguiu habeas corpus e respondia em liberdade. O médico passará por audiência de custódia na manhã deste sábado (15), e a defesa dele não se manifestou até a publicação desta matéria.
Se o feminicídio for confirmado, este será o 12º caso registrado em Mato Grosso do Sul em 2025, elevando para 21 o número de mulheres mortas no estado neste ano. A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) conduz o inquérito.

