Ladário aparece entre os cinco municípios críticos no Ideb e MS tem 60 cidades abaixo da média nacional
Ladário voltou a cair no Ideb e terminou 2025 com nota 4,7 nos anos iniciais da rede municipal, segundo os dados oficiais divulgados pelo Inep. O resultado coloca o município entre os cinco classificados como críticos em Mato Grosso do Sul e confirma uma sequência de duas quedas desde o melhor desempenho recente, registrado em 2021, quando a cidade alcançou 4,9.
O recuo ocorre mesmo depois de uma longa trajetória de crescimento do indicador. Ladário saiu de 2,9 em 2005 e chegou a 4,6 em 2019, antes de atingir 4,9 em 2021. Desde então, porém, o desempenho perdeu força. A nota caiu para 4,8 em 2023 e chegou a 4,7 na avaliação mais recente.
A classificação crítica considera municípios com Ideb inferior a 4,9 nos anos iniciais do Ensino Fundamental. Além de Ladário, o grupo formado pelo Ministério da Educação inclui Miranda, Douradina, Juti e Sidrolândia. Ao todo, pelo menos 60 municípios de Mato Grosso do Sul aparecem abaixo do índice nacional quando considerados os resultados dos anos iniciais, anos finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio.

A posição de Ladário também mostra que o problema não se resume à variação de uma edição para outra. No ranking estadual utilizado para o levantamento, o município aparece na 74ª colocação entre as 79 cidades de Mato Grosso do Sul, permanecendo na parte inferior da tabela.
A queda mais recente ocorre justamente em um momento em que o MEC anunciou que pretende concentrar esforços na melhoria da aprendizagem e da proficiência dos estudantes. Para os municípios classificados como críticos, a previsão é de assistência técnica e acompanhamento das medidas adotadas pelas redes de ensino.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, afirmou que o próximo ciclo não deverá considerar apenas o aumento das taxas de aprovação. Segundo ele, o objetivo é garantir que os estudantes efetivamente adquiram conhecimento.
“Cada estado tem sua estratégia. Ele que vai ter que se virar, a escola vai ter que se virar para fazer com que aquele estudante aprenda e tenha proficiência [conhecimento]”, disse.
Barchini também afirmou que o MEC vai acompanhar as ações adotadas pelas redes para evitar que o aumento da aprovação ocorra sem evolução correspondente no aprendizado.
“Se o estado está adotando as medidas corretas e concretas para que aquele estudante não fique para trás [repetência]. Se a rede aprovou oito e caiu proficiência, aí está com problema Não queremos aprovação sem proficiência. A proficiência estará no centro do novo ciclo. Depois de resolver fluxo, melhorar o acesso, vamos trabalhar juntos para que eles possam melhorar a proficiência”.
Avanço de Corumbá não representa situação “confortável”
Na mesma região, Corumbá apresentou um movimento diferente no resultado de 2025. A rede municipal dos anos iniciais elevou o Ideb de 4,7 em 2023 para 5,2 neste ano, recuperando a marca de 2019, que até então era a melhor da série recente.
O avanço interrompe uma sequência de estabilidade observada nas duas últimas edições. Depois de alcançar 5,2 em 2019, Corumbá caiu para 4,7 em 2021 e permaneceu com a mesma nota em 2023. A recuperação de 0,5 ponto em 2025 representa, portanto, uma melhora concreta no desempenho da rede.

Os dados do Saeb também apontam evolução. A nota média padronizada dos estudantes da rede municipal passou de 5,05 em 2023 para 5,53 em 2025, considerando os resultados de Língua Portuguesa e Matemática.
O avanço, porém, precisa ser colocado na dimensão correta. Corumbá aparece na 63ª posição no ranking estadual, de acordo com o levantamento utilizado na análise dos resultados. A cidade, portanto, melhorou seu próprio desempenho, mas continua distante das primeiras posições entre os municípios de Mato Grosso do Sul.
Esse quadro reforça que uma melhora pontual no indicador não encerra o problema. Para Corumbá, o desafio passa por sustentar o crescimento e avançar além da recuperação da nota perdida nos ciclos anteriores. Para Ladário, o cenário é mais urgente, porque a rede municipal voltou a cair e permanece abaixo do limite utilizado pelo MEC para classificar municípios como críticos.
O cenário de Mato Grosso do Sul
Os resultados estaduais mostram que a situação das duas cidades faz parte de um quadro mais amplo. Considerando o Ideb geral, que reúne as redes pública e privada, Mato Grosso do Sul chegou a 5,9 nos anos iniciais, abaixo do índice nacional de 6,3.
Nos anos finais do Ensino Fundamental, o Estado registrou 5,0, enquanto o índice nacional ficou em 5,3. No Ensino Médio, Mato Grosso do Sul atingiu 4,4, diante de 4,5 no país.

A quantidade de municípios com desempenho superior ao índice nacional também ajuda a dimensionar a distância existente entre as redes. Nos anos iniciais, apenas 10 municípios sul-mato-grossenses superaram o índice nacional geral de 6,3. Nos anos finais, nove cidades ficaram acima dos 5,3 nacionais. No Ensino Médio, dez municípios ultrapassaram a marca nacional de 4,5.
Entre os municípios com os melhores resultados gerais nos anos iniciais estão Sonora, Tacuru, Batayporã, Bodoquena, Caracol, Costa Rica, Inocência, Ivinhema, Japorã e Nova Andradina.
No Ensino Médio, os melhores desempenhos acima da média nacional ficaram com Alcinópolis, Itaporã, Itaquiraí, Ivinhema, Jardim, Naviraí, Paraíso das Águas, Vicentina, Sete Quedas e São Gabriel do Oeste. Nos anos finais, Nova Andradina, Japorã, Ivinhema, Itaquiraí, Glória de Dourados, Fátima do Sul, Coxim, Costa Rica e Bataguassu superaram o índice nacional geral.
O Ideb nacional, por outro lado, apresentou crescimento entre 2023 e 2025. Nas redes públicas e privadas, o índice passou de 6 para 6,3 nos anos iniciais, de 5 para 5,3 nos anos finais e de 4,3 para 4,5 no Ensino Médio. Segundo o MEC, os três resultados atingiram os maiores níveis da série histórica iniciada em 2005.
Também houve redução no número de municípios brasileiros com índice de até 4,9 nos anos iniciais. Em 2023 eram 1.097 municípios nessa faixa. Em 2025, o número caiu para 442.
A melhora nacional, porém, não elimina a responsabilidade das redes que permanecem abaixo dos parâmetros. Em Ladário, a série histórica mostra que a rede já chegou a 4,9 e voltou a perder desempenho nos dois ciclos seguintes. Em Corumbá, o resultado de 5,2 representa recuperação, mas a posição estadual ainda demonstra que há espaço significativo para melhorar.
O Ideb reúne o desempenho dos estudantes no Saeb e os indicadores de rendimento escolar. Por isso, o resultado não deve ser analisado apenas pela taxa de aprovação. A aprendizagem efetivamente alcançada pelos alunos é parte central da avaliação.
Para as administrações municipais, os números agora funcionam como um diagnóstico objetivo. Ladário precisa interromper a sequência de queda que levou a cidade novamente ao grupo crítico. Corumbá precisa transformar a recuperação de 2025 em uma trajetória sustentável de crescimento. Em ambos os casos, o resultado exige planejamento, acompanhamento dos estudantes e medidas concretas para elevar a aprendizagem.
