BID amplia financiamento e destina US$ 4 bilhões à segurança na América Latina
O Banco Interamericano de Desenvolvimento ampliou o montante de apoio financeiro para ações de combate à violência e ao crime organizado na região de US$ 2,5 bilhões para US$ 4 bilhões, com desembolsos previstos entre 2026 e 2028, anúncio feito nesta quarta-feira em Brasília durante a abertura da Cúpula da Aliança para a Segurança, a Justiça e o Desenvolvimento no Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Ilan Goldfajn relacionou a decisão ao desempenho da iniciativa e à demanda dos países da região. “quase 60% das metas previstas para três anos da iniciativa já foram alcançadas em apenas um ano.” A elevação do volume, segundo o presidente do BID, resulta da forte procura por recursos onde a segurança pública passou a figurar entre as principais preocupações dos governos.
Ao tratar do panorama regional, Goldfajn ressaltou a magnitude do problema e contextualizou a alocação de recursos. “embora a América Latina concentre cerca de 8% da população mundial, ela responde por aproximadamente 33% dos homicídios registrados no planeta.” A comparação foi usada para justificar a prioridade dada ao tema no plano de financiamento.
O ministro da Justiça Wellington César Lima e Silva defendeu maior cooperação internacional e medidas que atinjam a base econômica das organizações criminosas antes de apresentar alternativas operacionais. “O combate ao crime não pode se limitar às manifestações finais da violência, sendo necessário concentrar esforços também na desarticulação financeira das facções criminosas.” Em seguida, ele descreveu como as quadrilhas se adaptaram às dinâmicas globais.
Em complemento à explicação do ministro surgiu outra ênfase sobre a sofisticação das redes criminosas. “As estruturas criminosas se adaptaram à globalização, passaram a operar em rede e utilizam os sistemas financeiros internacionais para movimentar recursos com rapidez.” Lima e Silva vinculou a necessidade de medidas financeiras à eficiência das ações de repressão e investigação.
A cúpula também marcou a entrada da Interpol na Força-Tarefa de Resposta Rápida Contra a Violência e o Crime Organizado, mecanismo destinado a oferecer assistência técnica especializada e apoio em crises emergenciais. “segurança, justiça e desenvolvimento devem ser tratados de forma integrada e que a nova parceria permitirá ampliar a capacidade de resposta dos países da região por meio de missões técnicas, intercâmbio de conhecimento e fortalecimento operacional.” A afirmação foi atribuída a Valdecy Urquiza, secretário-geral da Interpol.
Durante o encontro, o BID e o governo brasileiro assinaram um memorando de entendimento para ampliar a cooperação no enfrentamento ao crime organizado, prevendo até R$ 5 bilhões em recursos para o Programa Brasil contra o Crime Organizado. Os aportes serão destinados à qualificação da investigação de homicídios, ao fortalecimento da segurança nos presídios, ao combate financeiro às organizações criminosas e ao enfrentamento do tráfico de armas, munições e explosivos.
A Aliança para a Segurança, a Justiça e o Desenvolvimento foi lembrada como plataforma criada para coordenar respostas aos desafios de segurança na América Latina e no Caribe. A iniciativa reúne 23 países-membros e 14 parceiros estratégicos e busca impulsionar investimentos e políticas focadas na prevenção da violência, no fortalecimento institucional, na modernização dos sistemas de justiça e no enfrentamento aos mercados ilícitos. No encerramento da abertura da cúpula o Brasil assumiu a presidência temporária do grupo pelo prazo de 12 meses.

