Filhos de mulher assassinada em fazenda de Corumbá recebem auxílio após feminicídio
Duas crianças que presenciaram o assassinato da própria mãe em uma fazenda na região de Corumbá passaram a receber acompanhamento psicológico e auxílio financeiro após o crime que abalou a família em agosto do ano passado.
Os irmãos, um menino de 6 anos e uma menina de 8, estavam no local quando a mãe, de 22 anos, foi morta a tiros. Desde então, eles vivem sob os cuidados da avó materna, que também é responsável por outro filho de 7 anos.
Segundo informações divulgadas pela Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos, as crianças recebem atendimento psicológico na escola e são beneficiárias do programa Recomeços, que garante o pagamento mensal equivalente a um salário mínimo para filhos de vítimas de feminicídio.
A família também recebe o benefício do programa Mais Social, destinado a pessoas em situação de vulnerabilidade econômica.
A avó, que não terá a identidade divulgada para preservar a segurança da família, afirmou que a ajuda foi fundamental após a morte da filha. Ela contou que precisou assumir integralmente os cuidados dos netos e, por isso, não consegue trabalhar atualmente.
“A minha história é essa, de muita luta e sofrimento. Hoje estou aqui falando de uma tragédia, que existe, mas estou tendo apoio. A gente tem que arrumar muita força, não se sabe mais de onde, mas tem que ter. Quero que este caso não seja esquecido. Estou sofrendo, meu dia a dia, meu momento, só Deus sabe o quanto está doendo, mas estou tendo ajuda”, relatou.
O homem apontado como autor do crime mantinha um relacionamento de aproximadamente seis meses com a vítima. Ele foi preso após o feminicídio e permanece detido aguardando julgamento.
Ainda segundo a avó, os benefícios ajudaram a garantir despesas básicas da casa logo após o crime.

“Com a ajuda que o governo passou para mim, eu comprei de tudo porque o familiar retirou. O governo me atendeu ali. Não demorou. Recebo também o Mais Social, que foi rápido demais, que está me ajudando. Hoje eu não posso trabalhar porque eu preciso cuidar deles. Sou só eu por eles. Mas o governo não se esqueceu de mim. Hoje eu tenho essa ajuda imediata”, afirmou.
Assistência após a violência
Criado para atender mulheres vítimas de violência doméstica e familiares atingidos por feminicídios, o programa Recomeços também oferece suporte para mulheres que deixam casas de acolhimento e precisam reconstruir a vida após situações de violência.
De acordo com dados da Sead, atualmente 22 pessoas são atendidas pelo programa em Mato Grosso do Sul, entre mulheres e filhos de vítimas de feminicídio. Já o Mais Social alcança cerca de 26 mil famílias em situação de vulnerabilidade econômica no Estado.
