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Polícia Federal investiga origem de denúncia sobre suposta cocaína em carga de madeira apreendida em MS e MT

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A Polícia Federal (PF) abriu uma nova investigação para identificar a origem da informação que levou à apreensão de uma carga de madeira em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso sob suspeita de estar impregnada com cocaína. A apuração foi instaurada após exames periciais confirmarem que não havia vestígios da droga nem de outras substâncias de interesse forense nas amostras analisadas.

Com a conclusão dos laudos, a investigação deixou de concentrar esforços na suposta existência do entorpecente e passou a buscar respostas sobre quem produziu ou transmitiu a denúncia, por quais canais ela circulou e quais elementos sustentaram a suspeita antes da confirmação pericial.

Além da autoria da informação, a Polícia Federal pretende esclarecer se houve falha na comunicação, manipulação dos dados ou algum interesse específico na divulgação da versão de que a carga continha cocaína.

Operação mobilizou autoridades de dois países

O caso teve início em junho, quando oito caminhões carregados com madeira deixaram a Bolívia com destino ao Brasil. Quatro veículos foram retidos em Corumbá (MS) e outros quatro em Cáceres (MT).

A fiscalização foi desencadeada após autoridades receberem a informação de que a madeira poderia estar sendo utilizada para transportar cocaína em estado líquido. A hipótese era de que a substância teria sido aplicada ou absorvida pelo material para posterior extração por meio de processos químicos.

A operação reuniu órgãos brasileiros e estrangeiros e envolveu uma carga de aproximadamente 260 toneladas de madeira, que chegou a ser tratada como uma das maiores apreensões relacionadas a esse suposto método de tráfico.

Exames descartaram presença de cocaína

Apesar da repercussão do caso, os primeiros exames realizados pela Polícia Federal não identificaram cocaína nas amostras coletadas. Durante a fiscalização, um cão farejador empregado na operação também não sinalizou a presença de entorpecentes.

Polícia Federal investiga origem de denúncia sobre suposta cocaína em carga de madeira apreendida em MS e MT

Como a investigação tratava de uma modalidade considerada incomum de ocultação da droga, novas amostras foram recolhidas para análises laboratoriais mais aprofundadas. Enquanto os exames eram realizados, os caminhões permaneceram retidos, gerando custos de armazenagem e atrasos nas entregas para transportadoras e proprietários da carga.

Vistorias na Bolívia já apontavam resultado negativo

A suspeita também perdeu força após a apresentação de documentos de autoridades bolivianas. Conforme a investigação, parte da madeira havia sido inspecionada ainda na Bolívia, inclusive com o auxílio de cão farejador, sem que fossem encontrados indícios de drogas.

Exames laboratoriais realizados no país vizinho também tiveram resultado negativo.

Outro fator considerado relevante foi o tipo de madeira transportada. A carga era composta por aroeira, espécie de alta densidade e baixa capacidade de absorção, característica que já levantava dúvidas sobre a possibilidade de impregnação com cocaína líquida.

laudo negativo madeira apreendida em MS e MT

Investigação muda de foco

O laudo definitivo da Polícia Federal confirmou, por meio de diferentes técnicas laboratoriais, a inexistência de cocaína ou de outras substâncias de interesse forense nas amostras examinadas.

Com esse resultado, a nova investigação passa a concentrar esforços na reconstrução do caminho percorrido pela denúncia que motivou a operação. A PF pretende identificar quem originou a informação, como ela chegou às autoridades e quais elementos contribuíram para que a suspeita ganhasse credibilidade antes da conclusão da perícia.

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