Diagnóstico de cardiopatia congênita é ampliado e melhora a qualidade de vida

news 187109 1781276773

Na sexta-feira, 12, data do Dia Nacional de Conscientização sobre a Cardiopatia Congênita, o Ministério da Saúde informa que cerca de 30 mil crianças nascem anualmente no Brasil com alguma malformação no coração, e especialistas apontam que o diagnóstico precoce tem avançado e é decisivo para a qualidade de vida.

Renata Mattos, coordenadora da Divisão de Cardiologia da Criança e do Adolescente do Instituto Nacional de Cardiologia, avaliou a desigualdade regional e o avanço do acesso, e afirmou “Aqui, na Região Sudeste, a gente tem mais acesso do que na Região Norte, por exemplo. Mas, de forma geral, a gente vê que o diagnóstico está sendo feito e o acesso ao tratamento está cada vez melhor”.

Ao definir o termo, a especialista relacionou o conceito às alterações na formação fetal e explicou o que o termo abrange, e afirmou “É qualquer malformação no coração da criança que acontece quando o bebê está se formando ainda dentro da barriga da mãe. Então, o coração se forma com algum tipo de estrutura errada”.

Sobre a detecção durante a gestação, a médica ressaltou que intervenções no feto são raras e que o principal efeito do diagnóstico pré-natal é ordenar a assistência no parto, e afirmou “Na grande maioria das vezes, quando a gente faz o diagnóstico ainda dentro da barriga, no feto, isso serve principalmente para a gente planejar como vai ser o fim da gestação, como vai ser o parto”.

Se o exame identificar uma cardiopatia que exigirá tratamento imediato, o parto precisa ocorrer em unidade com UTI e recursos para cirurgia ou cateterismo, enquanto malformações menos graves permitem manter o plano obstétrico previsto. Em alguns quadros muito graves, a falta de tratamento nos primeiros dias de vida pode ser fatal, ao passo que defeitos mais leves tendem a manifestar repercussões apenas posteriormente.

Atenção clínica e sinais de alerta

No acompanhamento pediátrico, a observação do ganho de peso e do desenvolvimento é peça-chave para suspeitar de problema cardíaco, e a especialista orientou, e afirmou “Se houver muita dificuldade de ganhar peso, tem que investigar se não é alguma coisa cardíaca”.

Alterações na alimentação e na respiração também são indícios que devem levar à avaliação cardiológica, e a médica destacou a importância dessa vigilância, e afirmou “São sinais de atenção para que os pais procurem atendimento cardiológico para o filho”.

A presença de cianose, percebida como arroxeamento nas extremidades, pode indicar comprometimento da oxigenação, e em crianças maiores sintomas como dor no peito ou sensação de palpitação podem ser consequência de arritmias associadas a cardiopatias congênitas.

Prognóstico e trajetória de tratamento

Muitos pacientes têm a cardiopatia resolvida com apenas um procedimento, mas há casos que requerem operações sucessivas desde a infância até a vida adulta, e a coordenadora ressaltou o impacto do diagnóstico adequado na perspectiva de vida, e afirmou “Quando você diagnostica direitinho, a possibilidade de a pessoa ter uma vida normal é imensa”.

Os profissionais precisam acompanhar essas pessoas ao longo do tempo porque, além da cardiopatia congênita, surgem comorbidades típicas da idade adulta como hipertensão e colesterol elevado, e a médica observou a mudança de paradigma em relação à atividade física, e afirmou “Antigamente, a gente achava que essas crianças não podiam fazer nada, não podiam fazer nenhum esporte, e isso não é verdade. Hoje em dia, a gente até estimula que esses pacientes façam exercícios”.

O relato de pacientes que cresceram com acompanhamento evidencia a evolução do cuidado. Nathan Senna Alves foi identificado com cardiopatia congênita grave ao nascer e recebeu acolhimento institucional desde a infância, e contou “A doutora Rosa [fundadora da instituição] me acolheu desde que eu nasci. Fiz meu acompanhamento todo e, com 2 anos, tive que operar pela primeira vez. Sempre me tratei lá. Foi a minha segunda casa, desde que eu nasci”.

Nathan passou por outras duas cirurgias aos 6 e aos 18 anos, necessário para troca de válvulas, e em relato sobre uma das operações ele disse “Operei com 18 anos, no dia do meu aniversário, que é 19 de maio”. Atualmente, ele tem 30 anos, é casado, pai e faz acompanhamento regular em serviço ligado à universidade.

Rosa Célia, cardiologista pediátrica e criadora do projeto que acompanhou Nathan, sintetizou o efeito do diagnóstico precoce sobre o futuro dos pacientes, e afirmou “Quando há diagnóstico precoce e acesso ao tratamento adequado, a cardiopatia congênita não precisa definir os limites de uma vida”.

A instituição mencionada afirmou que, ao longo de três décadas, atendeu mais de 16 mil crianças e adolescentes e realizou 130 mil atendimentos, oferecendo acompanhamento integral e gratuito às famílias assistidas.

O Sistema Único de Saúde assegura cuidado contínuo a crianças com cardiopatia congênita, cobrindo desde o ecocardiograma pré-natal até intervenções de alta complexidade, e as estratégias centrais incluem exames e triagens que permitem identificação e encaminhamento oportunos.

O ecocardiograma fetal é recomendado para ser realizado entre a vigésima quarta e a vigésima oitava semana de gestação com a finalidade de detectar anomalias antes do nascimento, e a triagem neonatal obrigatória por oximetria de pulso, conhecida como Teste do Coraçõzinho, deve ser aplicada nas primeiras 24 a 48 horas de vida para identificar cardiopatias críticas.

Pacientes diagnosticados entram em linhas de cuidado que os encaminham para a rede especializada, onde tratamentos clínicos ou cirúrgicos são oferecidos com financiamento integral pelo SUS, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e do planejamento assistencial.

PUBLICIDADE


andorinha

Veja também