Marjane Satrapi morre aos 56 anos e família atribui a perda à tristeza

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A escritora e artista Marjane Satrapi morreu aos 56 anos, com a notícia divulgada pela agência France-Presse e confirmada por pessoas próximas e por autoridades na França.

A família, em nota divulgada, afirmou “morreu de tristeza, pouco mais de um ano após a morte de Mattias Ripa, seu marido e o amor de sua vida”.

O parceiro, produtor, ator e argumentista Mattias Ripa morreu em 8 de abril de 2025. Em seu perfil no Instagram as poucas interações públicas aludem à perda de Ripa, e ela escreveu “Perdi o amor da minha vida”.

Trajetória artística

Nascida em 1969 em Rasht, no Irã, Marjane Satrapi ganhou projeção internacional com o romance gráfico Persépolis, lançado na França em 2000, que narra a juventude da autora em Teerã e os efeitos da revolução de 1979 sobre a sociedade e as desigualdades de gênero.

Além dos dois volumes complementares de Persépolis que criticam a teocracia iraniana, a autora publicou outros títulos com boa recepção da crítica e do público, entre eles Bordados, Frango com Ameixas e Mulher, Vida, Liberdade, todos comercializados no Brasil.

Em 2007 Satrapi coassinou a direção da adaptação animada de Persépolis com Vincent Paronnaud, obra que recebeu o prêmio do júri do Festival de Cannes e foi indicada ao Oscar de melhor filme de animação, categoria vencida por Ratatouille.

Em 2024 o jornal The New York Times incluiu Persépolis na lista dos 100 melhores livros já publicados no século 21, reconhecimento que reforça a repercussão da obra além dos quadrinhos e do cinema.

Em 2025, em gesto público de protesto, recusou a condecoração da Legião de Honra como forma de contestar aquilo que considerava “uma atitude hipócrita da França em relação ao Irã”.

Fundação e reações oficiais

Em fevereiro deste ano Satrapi lançou a Fundação de Cinema Mattias e Marjane Ripa-Satrapi, voltada a apoiar estudantes de cinema estrangeiros em Paris e vinculada à Academia de Belas Artes francesa, instituição que lamentou a sua morte.

O secretário perpétuo da academia, Laurent Petitgirard, declarou “Este é o desaparecimento de uma mulher admirável, luminosa, de absoluta integridade, cuja primeira intenção desde a sua eleição para a Academia de Belas Artes foi criar uma fundação para ajudar jovens cineastas”.

Saúde mental e o processo de luto

O psiquiatra Octávio Domont de Serpa Júnior, professor associado do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em entrevista à Agência Brasil registrou “A tristeza é um sentimento básico que todos experimentamos algumas vezes ao longo da vida. O problema é quando esta tristeza se aprofunda e se estende por um longo tempo, tornando-se uma depressão”.

Domont avaliou que o luto complexo pode ter afetado a disposição para viver, e acrescentou “Nestes casos, a depressão, a falta de perspectiva em relação ao futuro, vai, pouco a pouco, tirando o entusiasmo da pessoa pela vida e afetando a saúde física e mental, comprometendo o autocuidado. É muito mais por aí do que meramente pela tristeza, que não é um sentimento que resulte em um desfecho tão trágico quanto este”.

O Ministério da Saúde classifica a depressão como um problema médico grave quando não tratado, com causas genéticas, bioquímicas e por eventos estressores. Entre os sintomas mais frequentes estão sensação de tristeza, autodesvalorização e culpa, falta de energia e cansaço excessivo, lentificação do pensamento, dificuldades de concentração e de memória, redução do interesse sexual e alterações do apetite. O diagnóstico leva em conta persistência e intensidade dos sinais e depende de avaliação por médico especialista, que pode indicar medicação e terapia.

Além da nota familiar e das confirmações por fontes francesas não foram divulgadas causas médicas oficiais detalhadas sobre o falecimento.

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