Pneumo 20 é incorporada ao SUS e vacinação para crianças deve começar na segunda quinzena de junho
O ministro da Saúde anunciou em entrevista realizada na quarta-feira que a vacinação com a vacina pneumocócica conjugada 20-valente será oferecida nas Unidades Básicas de Saúde a partir da segunda quinzena deste mês de junho, com expectativa de início provável a partir de quinze de junho.
O cronograma já começou a ser acionado pela pasta com o envio inicial de 514 mil doses aos estados, e a previsão do governo federal é disponibilizar mais de 6,1 milhões de doses ao longo deste ano, conforme informações da própria autoridade sanitária.
O ministro Alexandre Padilha detalhou a sequência operacional e a convocação das redes locais.
“Nós já tomamos todos os passos necessários, inclusive nota técnica, começar a distribuição para os estados e municípios, para que já nesse mês de junho, na expectativa, estamos chamando para o começo da segunda quinzena de junho, provavelmente a partir de quinze de junho, a vacina Pneumo 20 para as crianças”
Doença e benefício da nova formulação
A Pneumo 20 amplia de forma significativa a proteção contra a bactéria Streptococcus pneumoniae, incluindo 20 sorotipos, o que dobra o número de tipos cobertos em relação à vacina 10-valente que vinha sendo usada na rede pública.
De acordo com informações oficiais, a incorporação inclui sorotipos associados a maior ocorrência de pneumonia invasiva, em especial os tipos 3, 6A e 19A, e também amplia a prevenção de otite média, condição que pode levar à perda auditiva e à generalização da infecção.
A Organização Mundial da Saúde registra que a doença pneumocócica é a principal causa de mortalidade infantil por enfermidade evitável, e os dados nacionais entre 2023 e 2025 apontam 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil óbitos, com 616 casos e 188 mortes entre crianças menores de cinco anos nesse período.
O histórico da vacinação infantil mostra resultados expressivos desde a inclusão da VPC10 no calendário básico em 2010, com redução de 60% das doenças pneumocócicas invasivas por aqueles 10 sorotipos em menores de dois anos e queda de 65% nos casos de meningite nessa faixa etária, mas houve crescimento da média anual de casos de meningite pneumocócica entre 2013 e 2019, em comparação com 2022 a 2024, quando a média subiu de 164 para 211,3 casos.
Levantamentos da vigilância do Ministério da Saúde indicam que quase 40% dos casos graves com amostra coletada entre 2018 e 2023 foram causados por apenas dois sorotipos que não estavam contemplados pela VPC10 e que agora entram na composição da VPC20.
Grupos prioritários e esquema de transição
A nova vacina será oferecida prioritariamente a crianças menores de cinco anos, povos indígenas maiores de cinco anos sem histórico vacinal com conjugada pneumocócica, idosos com 60 anos ou mais que estejam acamados ou institucionalizados e pessoas com condições clínicas especiais atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais.
Enquanto houver estoques da Pneumo 10, o esquema vacinal básico no período de transição manterá uma dose da Pneumo 20 aos dois meses de idade, uma dose da Pneumo 10 aos quatro meses, e uma dose de reforço da Pneumo 20 aos 12 meses, respeitando o intervalo mínimo de 60 dias entre a segunda dose e o reforço.
As vacinas VPC13 e VPP23 serão usadas em estratégias específicas até o término de seus estoques, e depois do esgotamento das doses remanescentes a rede pública passará a adotar exclusivamente a Pneumo 20.
O ministério informou que a Pneumo 20 é o quarto imunobiológico incorporado para crianças na atual gestão, e que pais, mães e responsáveis poderão acompanhar o histórico vacinal da criança em tempo real pela Caderneta Digital de Saúde da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital.
Na rede privada a vacina já vinha sendo ofertada desde o ano passado com preço superior a R$ 500 por dose, segundo dados divulgados pela pasta.
Ao comentar o avanço das coberturas vacinais dos últimos anos, o ministro destacou a retomada das taxas e a superação do ceticismo em relação às vacinas.
“Nós estamos com muita luta vencendo o negacionismo, vencendo a turma antivacina, recuperando a credibilidade do nosso Programa Nacional de Imunização”
O Ministério da Saúde registrou recuperação das coberturas infantis, com a cobertura do esquema básico contra doenças pneumocócicas passando de 90,01% em 2023 para 93,22% em 2024 e 93,45% em 2025, e cobertura parcial acumulada em 2026 até o momento de 86,33%.
A campanha será iniciada conforme os estados receberem as remessas e encaminharem as doses aos municípios, cabendo às secretarias locais organizar o atendimento nas Unidades Básicas de Saúde para as faixas etárias e grupos prioritários definidos pelo programa.

