México acusa ingerência de setores dos EUA e exige respeito à soberania nacional

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A presidente mexicana atribuiu a setores do governo dos Estados Unidos ações que, segundo ela, vão além da cooperação e configuram tentativa de interferência nos assuntos internos do México, com foco na sucessão eleitoral de 2027, que renovará a Câmara e governos estaduais.

Ao marcar dois anos de mandato, Sheinbaum relacionou episódios recentes a uma estratégia que envolveria campanhas midiáticas e solicitações jurídicas sem apresentação de provas, e apontou riscos à autodeterminação nacional.

Contexto de segurança e acusações diretas

Em referência ao papel de agências estrangeiras em solo mexicano, a presidente ressaltou que a presença externa não pode suprimir responsabilidades exclusivas das autoridades locais e exigiu observância das normas de soberania.

“Nenhum agente estrangeiro pode desempenhar funções que sejam de responsabilidade exclusiva das autoridades mexicanas. Qualquer pessoa que venha ao nosso país deve fazê-lo com respeito à nossa soberania, apresentando suas credenciais de acordo com a lei e cumprindo nossos regulamentos”.

A menção ocorreu em sequência ao episódio em que dois agentes da CIA morreram em um acidente no estado de Chihuahua, caso em que as autoridades mexicanas registraram que os agentes não tinham autorização para atuar no país.

Pedidos de extradição e questionamentos sobre motivação

Sheinbaum classificou como inédita a solicitação do Departamento de Justiça dos EUA para extraditar dez mexicanos, entre eles um governador, um prefeito e um senador, sem que tenham sido apresentadas provas públicas que a sustentem.

“Um evento desta magnitude é inédito na história de nossa relação bilateral”.

Na sequência, a chefa de Estado colocou em dúvida as reais intenções por trás das ações de determinados grupos estrangeiros e alinhamentos internos, vinculando-os a interesses eleitorais tanto nos Estados Unidos quanto no México.

“Ou será que estamos testemunhando como setores da extrema direita americana estão usando nosso país para se posicionarem para as eleições de 2026? Ou será que pretendem influenciar as eleições de 2027 em nosso país?”

Em entrevista coletiva, a presidenta afastou a hipótese de atribuir diretamente ao presidente Donald Trump essas iniciativas e sugeriu que a responsabilidade recairia sobre determinados setores da Casa Branca em conluio com grupos conservadores mexicanos.

“Nós sempre conversamos. Ele me diz o que pensa, e eu digo o que penso, e sempre chegamos a um acordo. Então, vamos torcer para que isso seja um problema apenas de certos setores”.

O governo mexicano também lembrou declarações anteriores do presidente norte-americano em janeiro quando Trump chegou a cogitar atacar o México “por terra” com a justificativa de combater cartéis, e observou ameaças de intervenção feitas em março por Marco Rubio, secretário de Estado, que afirmou poder “agir sozinho” em países latino-americanos se considerar necessário.

Ao reiterar o compromisso de seu governo com o combate ao crime organizado e à corrupção, Sheinbaum destacou resultados apontados pela administração, incluindo redução de homicídios dolosos, e advertiu contra a transformação da cooperação em submissão.

“Mas essa luta não pode servir de desculpa para enfraquecer princípios fundamentais do direito internacional, como a não intervenção e o respeito pela autodeterminação dos povos”,.

“não estamos mais falando de cooperação, estamos falando de interferência”.

“Cooperação não significa subordinação, e colaboração não significa submissão. A história do México nos ensinou que nenhum povo mantém sua liberdade se permitir que interesses estrangeiros decidam seu destino”.

O governo mexicano mantém a retórica de que aceitar ajuda externa exige protocolos e evidências, e reiterou que a apresentação de provas é condição para processos de extradição, conforme a legislação e os trâmites bilaterais vigentes.

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