Fiocruz anuncia produção nacional de terapias celulares contra o câncer
A Fundação Oswaldo Cruz lançou neste sábado o Centro de Desenvolvimento e Produção de Terapias CAR-T, plataforma que viabiliza a fabricação nacional de terapias celulares com preços mais baixos e acesso pelo Sistema Único de Saúde.
Conforme divulgado pela Fiocruz, o produto de alto valor tecnológico estará disponível à população “em um processo que envolve incorporação de tecnologia combinada ao desenvolvimento de estudo clínico”.
O evento contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do ministro da Saúde Alexandre Padilha e do presidente da Fiocruz Mario Moreira, e reúne esforços do Programa para Ampliação e Modernização de Infraestrutura do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, vinculado ao Novo PAC, iniciativa que já recebeu investimento de R$ 330 milhões.
Para o ministro da Saúde Alexandre Padilha, a Fiocruz desempenha papel central na disseminação de tecnologias e projetos para a população “Não estamos falando apenas de uma grande indústria de produção tecnológica. Estamos falando de uma instituição que combina inovação, escala e acesso para salvar vidas”.
O projeto vai beneficiar pacientes com leucemia, linfoma e mieloma e opera por meio da modificação das próprias células do paciente, processo descrito pela instituição como: “As células de defesa do paciente são removidas, modificadas geneticamente em laboratório e reintroduzidas na pessoa já ‘reprogramadas’ para combater o câncer”.
Centro de Desenvolvimento Tecnológico e investimentos
Também foi inaugurada a sede exclusiva do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fiocruz, criado em 2002 com apoio do Ministério da Saúde e voltado à geração de conhecimento e ao desenvolvimento tecnológico para produtos e serviços destinados ao SUS.
Com aporte de R$ 370 milhões, a nova sede do CDTS pretende ampliar a capacidade de inovação aplicada a vacinas, fármacos, biofármacos, reativos e métodos de diagnóstico, fortalecendo a soberania tecnológica brasileira e a produção pública de tecnologias de saúde.
Conforme informações oficiais, o Brasil está entre os poucos países com potencial para oferecer esse tipo de terapia de forma gratuita pelo SUS graças a instituições públicas como a Fiocruz, capazes de disponibilizar terapias avançadas em escala.
No lançamento o presidente Lula destacou a importância do investimento em pesquisa e o risco inerente ao financiamento científico “Porque o resultado da pesquisa pode não ser positivo. Aí você pensa: ‘Joguei dinheiro fora’. Não. Você não encontraria petróleo se não fizesse pesquisa. Para tudo tem que ser feito pesquisa”.
O evento também trouxe relatos de pacientes que já passaram por tratamentos semelhantes. Paulo Peregrino, um dos 14 brasileiros submetidos à terapia celular CAR-T realizada pela Universidade de São Paulo em parceria com o Instituto Butantan, participou da cerimônia e descreveu o impacto do procedimento em sua vida “O fato de eu ter essa chance foi Deus e a ciência, porque aconteceu exatamente no momento em que eu precisava. Ter a chance de conseguir ser selecionado e ter o tratamento que tive no HC de São Paulo, pelo SUS, foi uma coisa absolutamente fantástica”.
Segundo relatos sobre o caso, o tratamento aplicado em 2022 tinha custo estimado de R$ 2 milhões, valor que o paciente não teria condição de arcar, e foi oferecido quando outras alternativas já haviam sido tentadas e seu quadro era grave.
Na mesma cerimônia, o programa Agora Tem Especialistas – Caminhos da Saúde recebeu 40 veículos do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência destinados a 38 municípios do estado do Rio de Janeiro em ação do governo federal com investimento superior a R$ 23,3 milhões.
Foi feita também a primeira entrega de um microônibus do programa para transporte gratuito de pacientes do SUS que precisam ir a centros de radioterapia ou hemodiálise localizados a mais de 50 quilômetros de distância, além da entrega de uma ambulância ao município de São João de Meriti.
Como forma de valorizar sanitaristas, o presidente e o ministro da Saúde entregaram carteiras profissionais a quatro especialistas, entre elas a carteira entregue às filhas do ex-presidente da Fiocruz Sérgio Arouca, morto em 2003.

